segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A graça do sem graça


(foto Gustavo Barreto)
O que eu gosto do litoral é poder deixar de lado as atribulações, formalidades e, principalmente, a produção diárias e adotar um estilo de vida mais simples.
O salto alto fica em Porto Alegre e, na praia, é substituído pelas rasteirinhas e chinelos. Os pés agradecem a pausa.
As roupas são leves e despojadas. Não pretendem impressionar, apenas proporcionar conforto.
Quase não pego o carro. Tão agradável poder caminhar algumas quadras até o mar, o armazém da esquina ou à pracinha central, para um crepe no palito. Até um salão de beleza da capital se instalou por lá, onde, andando, posso chagar e resolver as questões femininas que não podem esperar – depilação, por exemplo.
Acho uma pena que as pessoas na praia de Atlântida, onde freqüento, perdem uma oportunidade valiosa de adotar esse estilo mais simples. Há desfile de carros de luxo, estresse por uma vaga próxima à praia, alta produção, valendo o uso de brilhos, jóias, roupas de banho e óculos de grife, escovinha no cabelo, unhas pintadas. Pudera o salão de beleza da capital abrir em Atlântida no verão, com certeza não sobrevive de clientes com o pensamento como o meu.
Os condomínios de luxo são outra praga que se espalharam pelo litoral e que vão contra ao que aprecio. Selvas de pedra, muradas, geralmente bem longe do mar, com toda a infra-estrutura dentro do próprio condomínio – laguinho, piscina, campo de futebol, TV a cabo, etc. Tudo bem pela segurança, uma vez que a violência também tira férias no litoral, mas qual a diferença de ficar em Porto Alegre? Ora, dirão seus defensores, basta pegar o carro e ir até a beira da praia quando desejar. Fácil, sim. Para mim não serve.
Concordo que é bom ter opções de bons restaurantes, festas, shows, o que não significa produção. O menos é mais. Já não chegam as exigências que os compromissos profissionais e sociais recomendam, o ano todo ainda vamos adotar o mesmo comportamento na praia? Não eu.
Renuncio à pose e lanço mão do básico para tudo que for possível. Dou-me até o direito de distrair-me com leituras rasas e assistir ao Big Brother, por que não? - aproveitando que minha TV só pega a Globo. A alienação no período de férias não causa danos irremediáveis e, despindo-se de preconceitos, pode-se descobrir graça com coisas que a grande maioria das pessoas que nunca leu nenhum dos Clássicos, ou meia dúzia de livros(e nem quer) se diverte. A empáfia pode nos privar de experiências interessantes.

8 comentários:

karla siqueira disse...

Oi Angela.
Amei teu post, e concordo com tudo o que tu dissestes. Lendo sobre atlântida parecia que estava lendo sobre jurerê( a praia "fechada" dos condomínios, ferraris, porshes, etc). Mas nós gaúchos temos uma relação diferente com a praia. Aqui nas areias de floripa reconhecemos nossos conterrâneos pela produção de moda, com seus colares, maiôs e biquinis, como se tivessem feito um "enxoval" pra vir pra cá. É estranho, por que depois que viramos "nativos" não damos mais valor as combinações, e sim ao conforto, como tu escrevestes. Adorei tua frase: "MENOS É MAIS!"
vamos fazer campanha?bjs direto da ilha

Miréia Borges disse...

É mesmo, pessoas que nunca pegaram e nunca vão pegar um livro, tem uma empáfia monstra na praia de Atlântida, já vi isso muitoooo.
Para mim também...praia tem que ter Havaiannas, vestido soltinho, cabelo ao vento, unhas "respirando" e rosto sem maquiagem.
Adorei a matéria e me orgulho de ser normal.

Ana Paula disse...

Angela... disseste tudo.
Eu não sou muito fã de praia, principalmente porque com 2 crianças há um estresse muito grande. É muito protetor solar e cuidados que nos impedem de curtir melhor, me admira muito essas pessoas que não descem do salto nem na praia.
O pouco que eu vou, vou pra praias pequenas sem muito agito, só com tias gordas qu não estão nem ai pro "visu", querem meesmo curtir o que a vida proporciona de melhor! Viver a Vida!

Claudia Bins (Cacau) disse...

Amei o post! É verdade, já chega de tanto stress, tanto cuidado sempre... relaxar já! Devia ser o lema do verão! :-)

Beijocas,

Cacau

Taia Assunção disse...

Olá, vim retribuir sua visita. Engraçado, ontem filha mais velha e eu estávamos conversando sobre isso. Ela acabou de chegar da praia onde passou 24 dias, isso mesmo, 24 dias de chinelinho, canga e biquíni. Agora começaram as aulas na faculdade e ela tem reclamado em ter que vestir-se...hehehe. A praia que tu frequenta é badalada né, a que frequentamos é tranquila, cidade pequena e longe de grandes centros. Por lá ainda há bastante tranquilidade. Beijocas e seja bem vinda ao meu blog.

Duo Blog disse...

Concordo plenamente, Angela!
E vou mais longe: porque não adotamos esse estilo simplista de ser nas grandes cidades também? Porque nós, (des)humanos nos torturamos tanto, preocupados com o "status", a aparência, com "o que os outros vão pensar"?
Pessoalmente, descobri há tempos a graça do sem graça.

Parabéns!

Ivana Marisa Altafin disse...

Oi Angela,
Quando vou para a praia, sou a pessoa mais feliz do mundo com minhas havaianas, uma bermuda, uma regata e o mais importante...ninguém me conhece, como sou feliz!!!O mais triste é o retorno, mas vamos pular essa parte e ficar lá no mar com um belo mergulho e também caminhar na praia, passear no centro à tarde e à noite. Estilo despojado é sinônimo de elegância em uma cidade litorânea. Pessoas elegantes estão sempre elegantes, independente da ocasião ou local. Parabéns pelo texto, adorei e concordo em tudo com você. Bjs.

Fabiana Campagna disse...

Maravilhoso! Eu concordo plenamente contigo, Angela. Acabei de voltar do litoral bahiano onde maquiagem e tralhas para produção feminina não são necessárias. 20 dias de chinelo, biquini, short e camiseta. Pra que precisamos mais? Li Luis Fernando Veríssimo pois me divirto muito com ele nas férias, meditei, brinquei com minha filha, curti meu marido e me envolvi, inclusive, com um bichinho de pé. E não troco nada disso pelo Glamour de Atlântida. Andar de salto alto no supermercado? Rebocar meus lábios saudáveis e frescos e meus olhos grandes pra quê, se posso me sentir livre e bonita sem a máscara que já me obrigo a usar por aqui? Isto também não é pra mim. E anota aí: o lugar que fui chama-se Ilha de Boipeba, BA. Fui pela 3ª vez justamente por me sentir em plena liberdade neste lugar. E, acredite, vale muito a pena!
Bj.