sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sobre os filmes "As Pontes de Madison" e "Divã"


Assisti ao filme “As Pontes de Madison”, com Clint Eastwood e Maryl Streep, onde a protagonista, Francesca, se apaixona por um fotógrafo da National Geographic que conhece durante os quatro dias em que o marido e filhos viajam. Apesar da paixão, ela opta por ficar com a família, mantendo em segredo o seu grande amor, que só é revelado aos filhos por meio de escritos deixados após sua morte.
Para mim, a grande sacada do filme ocorre quando Francesca se dá conta de que, se largar a família, não poderá viver intensamente seu amor, por causa do remorso e também por saber que a vida a dois não é um mar de rosas. Uma coisa é quatro dias de contos de fadas, fora da realidade, outra é a rotina, os compromissos e sacrifícios da vida de um casal. Ela opta por guardar aqueles momentos idealizados na lembrança e seguir a vida que tinha antes.
Acho que ela está certa. O segredo da vida a dois está em encontrar na cumplicidade e nos pequenos detalhes, os elementos que nos fazem felizes. As pessoas acostumaram-se a banalizar as separações e qualquer coisa é motivo para acabar um relacionamento. Eu acho muito cansativo viver na corda bamba e correndo constantemente atrás da adrenalina, do frio no estômago das novas relações. Prefiro “a sorte de um amor tranquilo.”
Talvez por isso as pessoas se separem e continuem frustradas, desencontradas, pulando de galho em galho.



No filme “Divã”, baseado no romance de Martha Medeiros, a personagem vivida por Lília Cabral, resolve fazer análise para passar a vida a limpo e decide se separar para fugir da mesmice do casamento. Não que não amasse o marido, mas queria o tal frio na barriga. Depois de envolver-se com caras mais jovens, sofrer desilusões amorosas, perder uma amiga para o câncer, ela revê seus valores e dá-se conta, tarde demais, que seu casamento não precisava ter acabado, apenas precisava de alguns ajustes.
E por que será que só nos damos conta dessas coisas, quando olhamos de fora, depois de passar por uma situação de perda, de fim de relacionamento? Quando se está na relação, sentimo-nos sufocados, incapazes de raciocinar?
A gente precisava ter mais poder de abstração, de ver por outro ângulo, de se colocar no lugar do outro. Enxergar as coisas lá na frente, vivenciar hipoteticamente o “ e se eu...” Mas não, a gente tem que estragar tudo que construiu, machucar o outro e a si mesmo, ver como é. As terapias deviam ajudar as pessoas a viver e a resolver seus problemas hipoteticamente, sem necessidade de “pagar para ver” ou de “viver para crer”. Aliás, esse é o grande mérito da literatura, de permitir que a gente viva a vida dos outros, suas vitórias e derrotas e depois volte para a sua, com outra percepção e, quem sabe, sem precisar cair para saber que dói o tombo.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ensaio sobre a Cegueira

Minha amiga Maria Augusta Menz escreveu um artigo muito legal comentando o livro/filme Ensaio sobre a Cegueira do Saramago e comparando com a atividade do Promotor de Justiça. Mas a análise é válida para todas as profissões que lidam com pessoas. Então com a concordância dela, estou postando o artigo aqui para que todos tenham a oportundiade de ler e refletir sobre ele. O artigo foi publicado no Jornal O sul de domingo. Parabéns, Guta pelo excelente texto!

E a nossa cegueira? - Maria Augusta Menz, Promotora de Justiça

Para mim, na condição de leiga, um dos maiores méritos de um filme, o que o qualifica como excelente, é o impacto que ele é capaz de causar. O mesmo posso dizer de um livro.
Nutria por José Saramago e seus livros um sentimento oscilante, já que, confesso minha estupidez, após devorar o “Evangelho de Jesus Cristo” – que adorei - abandonei inacabados todos os demais livros deste autor por achá-los um tanto enfadonhos. O “Ensaio sobre a Cegueira”, por outros motivos, também foi um dos abandonados, primeiro pois não fui capaz de atravessar a cena dos estupros coletivos, segundo pela carga emocional crescente de desespero e horror que o autor, magistralmente, conseguiu imprimir.
Assistindo a “Blindness”, o filme de Meirelles, fui capaz de acompanhar a narrativa até o final. O filme é excelente! A cegueira, uma metáfora da dificuldade que temos em ver o outro, da indiferença pelo nosso semelhante, no filme e no livro nivela e despoja todos os seres humanos, remetendo-os à condição original de recém-nascidos em um mundo sem visão, onde deixam de fazer sentido os papéis que cada um desempenha na sociedade, e todos tateiam, desesperados, desconhecendo os caminhos e os signos desta nova condição.
Somos remetidos a uma reflexão profunda sobre a condição humana, sobre as decisões e opções que o homem - como ser social, como indivíduo – ao ser confrontado com uma grave situação de crise, tem e toma, como se organizam os grupos e como se divide o poder.
Em contraponto à cegueira, temos a situação da única pessoa que não perde a visão, e as habilidades do cego de nascença, personagens que nos fazem pensar sobre o uso do poder e a forma como pode ser utilizado como instrumento para o bem e para o mal.
Ou seja, o filme, o livro muito mais, é ótimo pois causa profundo impacto e faz refletir, em diversos aspectos e ângulos.
Trazendo o tema para nossa atuação no Ministério Público podemos nos questionar até que ponto enxergamos realmente o ser humano por trás do processo, do conjunto maçante de papel que atravanca nossas escrivaninhas. Será que somos capazes de ver o indivíduo real, suas angústias, suas dores, o caminho que percorreu até chegar a nós, com suas reivindicações, seus litígios? Corremos o risco de esquecer o homem, a mulher ou a criança destinatária de nosso trabalho, diante da imensidão de afazeres e do afã de cumprir prazos, frente à rotina estafante. Corremos o risco da cegueira.
Outra abordagem interessante para que possamos fazer uma reflexão sobre nossa atuação como Promotores e Procuradores de Justiça está em questionar o que fazemos com o poder que nos é dado em nossa atividade. Agimos para o bem da sociedade, ou muitas vezes nos deixamos levar por nossas vaidades e interesses pessoais, atuando, se não para o mal, para fins que não são os melhores e os mais elevados? Certamente não podemos deixar de fazer esta pergunta.
Questionar criticamente nossa atuação diária, por melhor que seja, é um exercício saudável de depuração e de aprimoramento pessoal e profissional que, certamente, nos livrará da cegueira sobre nós mesmos e sobre os demais, nos mantendo sempre atentos e de olhos bem abertos, colocando em xeque a imagem de Minerva como a deusa cega da Justiça. A Justiça não pode ser cega e nós, como Promotores de Justiça, não podemos compactuar com a cegueira, mas, para tanto, temos que, primeiro, ser capazes de impedir que a venda venha a cobrir nossos olhos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Escrever à mão

Curiosa a declaração do Escritor Altair Martins, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura de 2009, um dos mais importantes do país, com o livro "A Parede no Escuro", de que prefere escrever seus textos à mão.
Disse ele, no "Encontros com o Professor, que "A escrita à mão é sensual. A linha flui como um rio. A escrita à mão é como um jorro".(veja em zero hora/coluna do Lerina de hoje)
Eu até gosto de escrever à mão, mas, depois, inevitavelmente, terei que digitar tudo, então que acho trabalho dobrado e optei por me acostumar a escrever direto no computador.
Na hora da correção, no entanto, o texto impresso parece ser mais fácil de corrigir, é como se os erros saltassem do papel, enquanto que na tela ficam disfarçados.
Cada um com sua mania. Se eu sobesse que escrever à mão me garantiria uma inspiração divina, apta a vencer um prêmio de literatura como o que o Altair venceu, cederia ao velho método. Mas, por ora, reservo a escrita à mão para os cartões pessoais.

domingo, 6 de setembro de 2009

Bloqueio


A Revista Cultura de Setembro já saiu e trata, em uma de suas matérias, sobre o bloqueio criativo, e como alguns autores lidam com o "branco".

É bem complicado isso de bloqueio. Comigo acontece geralmente quando termino um texto. Talvez por lê-lo e relê-lo tantas vezes e modificá-lo e cortá-lo, enfim, quando finalmente termina, necessito de um período de recuperação em que parece que não sou mais capaz de escrever nada. Imagina se eu escrevesse um romance, então, quanto tempo será que ia durar o bloqueio? Mas acho que isso faz parte do processo criativo e cada um tem seu tempo que precisa ser respeitado. Acho que isso vale para todas as artes e para quem trabalha com criação em geral.

Fica a dica da leitura, lembrando que a revista conta com versão on line no seguinte endereço:
http://www2.livrariacultura.com.br/culturanews/rc26/index.asp

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Livro Filho Eterno vence prêmio

De novo, o romance "Filho Eterno" de Cristovão Tezza venceu mais um Prêmio de Literatura. Dessa vez, foi o Prêmio Passo Fundo Zaffari&Bourbom de Literatura, que concede R$ 100 mil a seu autor. O livro já tinha vencido outros importantes prêmios de literatura, como o Prêmio Portugal Telecom de Literatura de 2008, Prêmio São Paulo Literatura 2008 (o de 2009 quem venceu foi "A Parede no Escuro" de Altair Martins), prêmio Jabuti de melhor romance, e assim vai. Só sei dizer que o escritor arrebanhou mais de R$ 400 mil reais em prêmios. Que beleza, hein?
Deve ser muito gratificante para um autor vencer um prêmio desse porte. Eu que ganhei dois prêmiozinhos modestos já fiquei me achando "A escritora", imagina vencer algo de ponta. Quem sabe um dia!

Não posso opinar sobre a obra porque não li ainda. Comprei o livro em janeiro, mas ainda não tive coragem de ler, pois o tema é sobre um pai que tem um filho com síndrome de down. Acho que para quem está esperando bebê, o livro não seria uma boa idéia. Se alguém já leu e quiser enviar a resenha para pôr aqui no blog, seria bem legal.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

33 Semanas e Entrevista

Parece mentira, 33 semanas já, tá chegando cada vez mais perto e batendo um medo de todas as novidades e responsabilidades que vêm pela frente.

Para comemorar, fui entrevistada por um blog de moda e beleza, o "Bem Linda", da Tatiana Amaro, que é bem legal, cheio de dicas interessantes e atuais. Quem quiser conferir, o endereço é:http://www.bemlinda.com.br/?page_id=398

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Barriguinha, quem não tem?


Achei o máximo a coluna da Martha Medeiros de hoje na zero hora falando sobre a foto da mulher da página 194, em que uma linda modelo aparece ostentando uma barriguinha saliente.
No blog da Martha choveram comentários favoráveis, pois barriga é uma coisa real, humana, e nem por isso a gente deixa de ser interessante e sexy. O que não é normal é a anorexia imperante do mundo fashion. Ok, também acho legal não ter barriga, mas desde que para isso não tenha que ficar com menos de 50 quilos, o que no meu caso importa em não ter mais perna, bunda, braço, bochechas, etc. Uma vez, fiquei com 48 quilos e virei uma vara, perdi todas as minhas curvas. De novo, o excesso nunca é a melhor opção.
Leiam mais no blog da escritora:
http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt§ion=Blogs&post=222161&blog=255&coldir=1&topo=3951.dwt