Várias pessoas disseram que rejuvenesci e fiquei pensando sobre quais seriam os motivos. Tem a ver com perder sete quilos, mas tem mais a ver com o que eu levo por dentro.
Tenho
buscado meu autoconhecimento, tentando sopesar o que realmente importa, mais
valores humanos e não materiais, menos consumismo, mais sentimentos. De uns
tempos pra cá adotei a meditação, e ela tem ajudado a entender melhor minha
mente, o que me faz feliz, e a controlar emoções que me adoecem. Final de ano é
tempo de listas e nessa altura, que deve ser mais ou menos a metade da vida (da
minha pelo menos), eu quero tirar coisas do rol de metas, desapegar, exercer a
simplicidade, adotar um espírito leve, de bem com as pessoas que amo, e curtir
pequenos prazeres do tipo dar um abraço de 30 segundos no meu filho, tirar o
melhor que posso do meu piano, escutar um rock bem alto e sentir que o bumbo é
o seu coração, passear com meu amor, dividir minhas reflexões num texto, curtir
os amigos reais. E me perguntarão se eu não leio jornal, se não vejo que o
mundo está doido, crise de todos os lados, e eu só penso que sei de tudo isso,
o que me dá mais motivos para valorizar as pequenas vitórias e brindar os
valores verdadeiros, essas coisas que a gente só para pra pensar no fim do ano
e que deveriam ser prioridades. Afinal, só trabalhamos e corremos como doidos
para ter qualidade de vida, o que é contraditório, porque o que conseguimos é
mais estresse. A gente vai passar e as dores do mundo ficarão.
Eu
me dei conta disso dia desses e resolvi focar no que me faz bem. Como você faz
isso se o fim de semana só tem dois dias, e temos cinco de trabalho? Porque eu
procuro motivos para ser feliz todos os dias, não só no final de semana, não só
nas férias, quando dezembro chegar ou esperando pela sexta-feira. E dirão, ah,
mas você ama o que faz. É verdade, só que tem mais a ver com isso de buscar
enxergar a beleza nos detalhes. Porque se você prestar atenção, meu
trabalho[1]
é tentar ajudar a resolver as pequenas e grandes desgraças das pessoas, e isso
é bem pesado, sugam a tua energia, você vive vários dramas e tensões que não
são seus, mas também são seus, porque você pertence a esse grupo que se chama
humanidade, e você tem empatia, por mais que não queira se envolver, é a
empatia que te faz olhar o outro e compreendê-lo, não pré-julgar, aprender com
ele e quem sabe ajudá-lo, mesmo que seu posicionamento seja contrário de
quem recebe sua intervenção, porém tem por objetivo um bem maior, que pode ser a
favor de uma criança, uma vítima, a sociedade, enfim. Isso me faz superar as
dificuldades e ver sentido naquilo que eu faço, porque não é sobre processos, é
sobre pessoas, e isso muda toda a perspectiva da coisa. Se não tem como gostar
do seu trabalho, existem seres humanos com quem você trabalha que tornam o
fardo mais leve. Ah, eu só trabalho com criaturas problemáticas e complicadas.
Será? Talvez o problema esteja em você, que nunca parou para conversar,
perguntar sinceramente como o colega está se sentindo, indagar sobre sua vida,
seus desejos, suas preferências. Por mais que possamos pensar diferente, fazer
o bem é algo que dá sentido para sua vida e ajuda mais a você do que o ajudado.
Importar-se sinceramente com seu semelhante acrescenta algo a ambos e você vai
descobrir que quem senta na mesa ao seu lado tem sentimentos muito parecidos
com os seus, embora seja do partido que você odeia, ou seja daqueles que vivem
para reclamar de tudo. Dê uma chance de conhecer o outro, todos temos algo a
dar de bom.
Comecei
a fazer reuniões informais com minha equipe, para falarmos não só de trabalho,
mas de sentimentos, problemas, da vida. Estamos nos conhecendo e descobrindo
qualidades e características que nem imaginávamos, um toca violino, a outra faz
kangoo, outro joga tênis, e essas conversas tornam nosso ambiente mais leve, em
sintonia, as ideias fluem e as soluções aparecem. Aliás, está aí algo a
acrescentar na minha lista de proposições: conversar com alguém diferente a
cada dia ou a cada semana.
Se
você me perguntar qual a minha melhor
qualidade, eu diria que é se colocar no lugar do outro, importar-se, envolver-se,
ter um olhar compreensivo dirigido ao semelhante e a mim mesma, e, acima de
tudo, dar o melhor em tudo que faço. A minha humanidade, que muitas vezes tento
asfixiar, por questão de sobrevivência, é o que me forma e move. E desde que
resolvi investir no autoconhecimento e nisso de valorizar as pessoas e os laços
pessoais, em ser eu sem se importar muito em querer agradar, porque a gente não
agrada a todos nem fazendo a coisa certa, que dirá com esse monte de defeitos,
tenho impactado positivamente as pessoas na minha volta, elas gostando ou não
de mim, mas que acabam me respeitando pelo que eu sou. Você acaba conquistando
pela sua espontaneidade, erros e acertos, sentimentos genuínos, alegria em
viver e em conviver com os demais. Se a ninguém agradar, se te chamarem de
Poliana ou piegas, que a vida é bem mais complicada, ao menos você agradou a si
mesmo. A disposição de estar sempre em construção te leva a ser humilde, a
encarar as vitórias e fracassos como oportunidades de aprendizado para a sua
evolução. O que eu sou e o que eu quero ser só dependem de mim.
Ninguém
sabe dizer por que rejuvenesci, apenas sentem a vibe. Mas eu sei o que é, é
essa coisa que carrego por dentro.
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