Minha amiga Mara diz que sou uma grávida atípica. Estou na 13ª semana e até agora não senti enjôos, não tenho aquele sono todo que as grávidas de primeiras semanas tem, não estou mais emotiva – pelo menos não mais do que sou naturalmente.
Ok, tenho alguns sintomas como barriga e fome aumentando. No início, senti umas cólicas também. Disseram-me que é normal, em razão do útero se dilatando.
Não sou daquelas mamães de primeira viagem deslumbradas com a idéia que já compraram a enciclopédia do bebê completa e sabem tudo que vai acontecer. Eu não sei nada, cada sintoma é uma surpresa e, na dúvida, pergunto para minha irmã Michele, que já passou pelo primeiro filho, ou para minhas outras amigas grávidas. Exceto pelas meinhas vermelhas, não comprei nada para o bebê e não faço a menor ideia das tecnologias e utensílios existentes para facilitar a vida das mães. No máximo, tenho lido o blog Nave mãe da Zero Hora. Acho que tenho medo de ficar aquelas pessoas chatas que não tem outro assunto a não ser falar da gravidez e maternidade. Além de futura mamãe, quero continuar sendo uma pessoa interessante e bem informada, mas não apenas sobre fraldas, mamadeiras e dores de barriga. Aliás esse é um conflito que vivo atualmente. Me sinto até culpada, mas é inevitável. Meu grande dilema atual é “Como ser gestante sem deixar de ser mulher?”, o que já antevê o próximo: “Como ser mãe sem deixar de ser mulher?” Por mulher leia-se o lado vaidoso, feminino, sensual, essas coisas.
Eu sei que é um momento maravilhoso o da maternidade e estou curtindo muito a ideia. Mas meu lado vaidoso (e egoísta, por que não?) não pode deixar de observar as mudanças angustiantes no meu corpo e lembrar de como achava um porre aquelas grávidas sem outro assunto.
Admito, sou uma grávida atípica. No entanto acho que manter minha vaidade e individualidade não são contra-indicados para o bebê. Amor ele já tem e terá de sobra, mas prefiro poupar os outros das corujices e outras “ices” das gestantes deslumbradas. Só falo a respeito quando me perguntam e sou breve. O deslumbramento guardo para quando o bebê nascer - e só para ele!