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sábado, 5 de agosto de 2017

Run away!

Run, Forest, run away from complicated people. Essa crônica é demais. Texto completo abaixo e em https://www.google.com.br/amp/am.zerohora.com.br/amp/9842487/quando-eu-estiver-louco-se-afaste
MarthaMedeirosfeelings #aprendizado #reflexão #thinkingabout #blogmorenadepintas

Quando eu estiver louco, se afaste

Há que se respeitar quem sofre de depressão, distimia, bipolaridade e demais transtornos psíquicos que afetam parte da população. Muitos desses pacientes recorrem à ajuda terapêutica e se medicam a fim de minimizar os efeitos desastrosos que respingam em suas relações profissionais e pessoais. Conseguem tornar, assim, mais tranquila a convivência.

Mas tem um grupo que está longe de ser doente: são os que simplesmente se autointitulam "difíceis" com o propósito de facilitar para o lado deles. São os temperamentais que não estão seriamente comprometidos por uma disfunção psíquica — ao menos, não que se saiba, já que não possuem diagnóstico. São morrinhas, apenas. Seja por alguma insegurança trazida da infância, ou por narcisismo crônico, ou ainda por terem herdado um gênio desgraçado, se decretam "difíceis" e quem estiver por perto que se adapte. Que vida mole, não?

Tem uma música bonita do Skank que começa dizendo: "Quando eu estiver triste, simplesmente me abrace/ quando eu estiver louco, subitamente se afaste/ quando eu estiver fogo/ suavemente se encaixe...". A letra é poética, sem dúvida, mas é o melô do folgado. Você é obrigada a reagir conforme o humor da criatura.

Antigamente, quando uma amiga, um namorado ou um parente declarava-se uma pessoa difícil, eu relevava. Ora, estava previamente explicada a razão de o infeliz entornar o caldo, promover discussões, criar briga do nada, encasquetar com besteira. Era alguém difícil, coitado. E teve a gentileza de avisar antes. Como não perdoar?

Já fui muito boazinha, lembro bem.

Hoje em dia, se alguém chegar perto de mim avisando "sou uma pessoa difícil", desejo sorte e desapareço em três segundos. Já gastei minha cota de paciência com esses difíceis que utilizam seu temperamento infantil e autocentrado como álibi para passar por cima dos sentimentos dos outros feito um trator, sem ligar a mínima se estão magoando — e claro que esses "outros" são seus afetos mais íntimos, pois com colegas e conhecidos eles são uns doces, a tal "dificuldade" que lhes caracteriza some como num passe de mágica. Onde foi parar o ogro que estava aqui?

Chega-se a uma etapa da vida em que ser misericordioso cansa. Se a pessoa é difícil, é porque está se levando a sério demais. Será que já não tem idade para controlar seu egocentrismo? Se não controla, é porque não está muito interessada em investir em suas relações. Já que ficam loucos a torto e direito, só nos resta se afastar, mesmo. E investir em pessoas alegres, educadas, divertidas e que não desperdiçam nosso tempo com draminhas repetitivos, dos quais já se conhece o final: sempre sobra para nós, os fáceis.


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Alice, sempre atual


" Quando Alice estava tomando chá com o Chapeleiro Louco, notou que não havia geleia. Pediu então geleia e ele disse: 'A geleia é servida dia sim, dia não.' Alice reclamou: 'Mas ontem também não havia geleia!' ‘Isso mesmo’ respondeu o Chapeleiro Louco. 'A regra é esta: geleia sempre ontem e geleia amanhã, nunca geleia hoje…porque hoje não é ontem nem amanhã.'

E é assim que você está vivendo: geleia ontem, geleia amanhã, nunca geleia hoje. E é aí que está a geleia! Assim você imagina; você vive em um estado dopado, sonolento. Você esqueceu completamente que este momento é o único momento real. E, se quiser algum contato com a realidade, acorde aqui e agora!"

Osho

no livro “O homem que amava as gaivotas"

Do mural de Pedro Tornagui no facebook


domingo, 16 de outubro de 2016

Conferências do TED

Eu gosto muito de assistir as conferências do TED. Muitos pensadores, cientistas, empreendedores, enfim, pessoas que se destacaram nas mais diversas áreas proferem palestras e aulas no palco do TED, e é muito interessante, aprendo sobre muita coisa. Esta, particularmente, leva a refletir sobre a educação dos filhos, como e para que os estamos criando. Notas e premiações não são o mais importante. Amor e valores, sim. Vale a pena assistir.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Entrevista com Antonio Cândido

Divido com vocês a entrevista do Antonio Cândido que minha colega de oficina literária, a Luiza, enviou. Gostei muito e então, mesmo sendo um pouco extensa, resolvi dividir com vocês. Boa leitura!

Antonio Candido: “O socialismo é uma doutrina triunfante”
Aos 93 anos, Antonio Candido explica a sua concepção de socialismo, fala sobre literatura e revela não se interessar por novas obras
por Joana Tavares, no Brasil de Fato, sugestão do Igor Felippe
Crítico literário, professor, sociólogo, militante. Um adjetivo sozinho não consegue definir a importância de Antonio Candido para o Brasil. Considerado um dos principais intelectuais do país, ele mantém a postura socialista, a cordialidade, a elegância, o senso de humor, o otimismo. Antes de começar nossa entrevista, ele diz que viveu praticamente todo o conturbado século 20. E participou ativamente dele, escrevendo, debatendo, indo a manifestações, ajudando a dar lucidez, clareza e humanidade a toda uma geração de alunos, militantes sociais, leitores e escritores.
Tão bom de prosa como de escrita, ele fala sobre seu método de análise literária, dos livros de que gosta, da sua infância, do começo da sua militância, da televisão, do MST, da sua crença profunda no socialismo como uma doutrina triunfante. “O que se pensa que é a face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele”, afirma.
Brasil de Fato – Nos seus textos é perceptível a intenção de ser entendido. Apesar de muito erudito, sua escrita é simples. Por que esse esforço de ser sempre claro?
Antonio Candido – Acho que a clareza é um respeito pelo próximo, um respeito pelo leitor. Sempre achei, eu e alguns colegas, que, quando se trata de ciências humanas, apesar de serem chamadas de ciências, são ligadas à nossa humanidade, de maneira que não deve haver jargão científico. Posso dizer o que tenho para dizer nas humanidades com a linguagem comum. Já no estudo das ciências humanas eu preconizava isso. Qualquer atividade que não seja estritamente técnica, acho que a clareza é necessária inclusive para pode divulgar a mensagem, a mensagem deixar de ser um privilégio e se tornar um bem comum.
O seu método de análise da literatura parte da cultura para a realidade social e volta para a cultura e para o texto. Como o senhor explicaria esse método?
Uma coisa que sempre me preocupou muito é que os teóricos da literatura dizem: é preciso fazer isso, mas não fazem. Tenho muita influência marxista – não me considero marxista – mas tenho muita influência marxista na minha formação e também muita influência da chamada escola sociológica francesa, que geralmente era formada por socialistas. Parti do seguinte princípio: quero aproveitar meu conhecimento sociológico para ver como isso poderia contribuir para conhecer o íntimo de uma obra literária. No começo eu era um pouco sectário, politizava um pouco demais minha atividade. Depois entrei em contato com um movimento literário norte-americano, a nova crítica, conhecido como new criticism. E aí foi um ovo de colombo: a obra de arte pode depender do que for, da personalidade do autor, da classe social dele, da situação econômica, do momento histórico, mas quando ela é realizada, ela é ela. Ela tem sua própria individualidade. Então a primeira coisa que é preciso fazer é estudar a própria obra. Isso ficou na minha cabeça. Mas eu também não queria abrir mão, dada a minha formação, do social. Importante então é o seguinte: reconhecer que a obra é autônoma, mas que foi formada por coisas que vieram de fora dela, por influências da sociedade, da ideologia do tempo, do autor. Não é dizer: a sociedade é assim, portanto a obra é assim. O importante é: quais são os elementos da realidade social que se transformaram em estrutura estética. Me dediquei muito a isso, tenho um livro chamado “Literatura e sociedade” que analisa isso. Fiz um esforço grande para respeitar a realidade estética da obra e sua ligação com a realidade. Há certas obras em que não faz sentido pesquisar o vínculo social porque ela é pura estrutura verbal. Há outras em que o social é tão presente – como “O cortiço” [de Aluísio Azevedo] – que é impossível analisar a obra sem a carga social. Depois de mais maduro minha conclusão foi muito óbvia: o crítico tem que proceder conforme a natureza de cada obra que ele analisa. Há obras que pedem um método psicológico, eu uso; outras pedem estudo do vocabulário, a classe social do autor; uso. Talvez eu seja aquilo que os marxistas xingam muito que é ser eclético. Talvez eu seja um pouco eclético, confesso. Isso me permite tratar de um número muito variado de obras.
Teria um tipo de abordagem estética que seria melhor?
Não privilegio. Já privilegiei. Primeiro o social, cheguei a privilegiar mesmo o político. Quando eu era um jovem crítico eu queria que meus artigos demonstrassem que era um socialista escrevendo com posição crítica frente à sociedade. Depois vi que havia poemas, por exemplo, em que não podia fazer isso. Então passei a outra fase em que passei a priorizar a autonomia da obra, os valores estéticos. Depois vi que depende da obra. Mas tenho muito interesse pelo estudo das obras que permitem uma abordagem ao mesmo tempo interna e externa. A minha fórmula é a seguinte: estou interessado em saber como o externo se transformou em interno, como aquilo que é carne de vaca vira croquete. O croquete não é vaca, mas sem a vaca o croquete não existe. Mas o croquete não tem nada a ver com a vaca, só a carne. Mas o externo se transformou em algo que é interno. Aí tenho que estudar o croquete, dizer de onde ele veio.
O que é mais importante ler na literatura brasileira?
Machado de Assis. Ele é um escritor completo.
É o que senhor mais gosta?
Não, mas acho que é o que mais se aproveita.
E de qual o senhor mais gosta?
Gosto muito do Eça de Queiroz, muitos estrangeiros. De brasileiros, gosto muito de Graciliano Ramos… Acho que já li “São Bernardo” umas 20 vezes, com mentira e tudo. Leio o Graciliano muito, sempre. Mas Machado de Assis é um autor extraordinário. Comecei a ler com 9 anos livros de adulto. E ninguém sabia quem era Machado de Assis, só o Brasil e, mesmo assim, nem todo mundo. Mas hoje ele está ficando um autor universal. Ele tinha a prova do grande escritor. Quando se escreve um livro, ele é traduzido, e uma crítica fala que a tradução estragou a obra, é porque não era uma grande obra. Machado de Assis, mesmo mal traduzido, continua grande. A prova de um bom escritor é que mesmo mal traduzido ele é grande. Se dizem: “a tradução matou a obra”, então a obra era boa, mas não era grande.
Como levar a grande literatura para quem não está habituado com a leitura?
É perfeitamente possível, sobretudo Machado de Assis. A Maria Vitória Benevides me contou de uma pesquisa que foi feita na Itália há uns 30 anos. Aqueles magnatas italianos, com uma visão já avançada do capitalismo, decidiram diminuir as horas de trabalho para que os trabalhadores pudessem ter cursos, se dedicar à cultura. Então perguntaram: cursos de que vocês querem? Pensaram que iam pedir cursos técnicos, e eles pediram curso de italiano para poder ler bem os clássicos. “A divina comédia” é um livro com 100 cantos, cada canto com dezenas de estrofes. Na Itália, não sou capaz de repetir direito, mas algo como 200 mil pessoas sabem a primeira parte inteira, 50 mil sabem a segunda, e de 3 a 4 mil pessoas sabem o livro inteiro de cor. Quer dizer, o povo tem direito à literatura e entende a literatura. O doutor Agostinho da Silva, um escritor português anarquista que ficou muito tempo no Brasil, explicava para os operários os diálogos de Platão, e eles adoravam. Tem que saber explicar, usar a linguagem normal.
O senhor acha que o brasileiro gosta de ler?
Não sei. O Brasil pra mim é um mistério. Tem editora para toda parte, tem livro para todo lado. Vi uma reportagem que dizia que a cidade de Buenos Aires tem mais livrarias que em todo o Brasil. Lê-se muito pouco no Brasil. Parece que o povo que lê mais é o finlandês, que lê 30 volumes por ano. Agora dizem que o livro vai acabar, né?
O senhor acha que vai?
Não sei. Eu não tenho nem computador… as pessoas me perguntam: qual é o seu… como chama?
E-mail?
Isso! Olha, eu parei no telefone e máquina de escrever. Não entendo dessas coisas… Estou afastado de todas as novidades há cerca de 30 anos. Não me interesso por literatura atual. Sou um velho caturra. Já doei quase toda minha biblioteca, 14 ou 15 mil volumes. O que tem aqui é livro para visita ver. Mas pretendo dar tudo. Não vendo livro, eu dou. Sempre fiz escola pública, inclusive universidade pública, então é o que posso dar para devolver um pouco. Tenho impressão que a literatura brasileira está fraca, mas isso todo velho acha. Meus antigos alunos que me visitam muito dizem que está fraca no Brasil, na Inglaterra, na França, na Rússia, nos Estados Unidos… que a literatura está por baixo hoje em dia. Mas eu não me interesso por novidades.
E o que o senhor lê hoje em dia?
Eu releio. História, um pouco de política… mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno.
O senhor é socialista?
Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.
Por quê?
Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.
O socialismo como luta dos trabalhadores?
O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.
Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?
Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.
O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?
O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo. Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social. Não a Rússia, a China, o Camboja. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para o que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo. No tempo que meu irmão Roberto – que era católico de esquerda – começou a trabalhar, eu era moço, ele era tido como comunista, por dizer que no Brasil tinha miséria. Dizer isso era ser comunista, não estou falando em metáforas. Hoje, a Federação das Indústrias, Paulo Maluf, eles dizem que a miséria é intolerável. O socialismo está andando… não com o nome, mas aquilo que o socialismo quer, a igualdade, está andando. Não aquela igualdade que alguns socialistas e os anarquistas pregavam, igualdade absoluta é impossível. Os homens são muito diferentes, há uma certa justiça em remunerar mais aquele que serve mais à comunidade. Mas a desigualdade tem que ser mínima, não máxima. Sou muito otimista. (pausa).
O Brasil é um país pobre, mas há uma certa tendência igualitária no brasileiro – apesar da escravidão – e isso é bom. Tive uma sorte muito grande, fui criado numa cidade pequena, em Minas Gerais, não tinha nem 5 mil habitantes quando eu morava lá. Numa cidade assim, todo mundo é parente. Meu bisavô era proprietário de terras, mas a terra foi sendo dividida entre os filhos… então na minha cidade o barbeiro era meu parente, o chofer de praça era meu parente, até uma prostituta, que foi uma moça deflorada expulsa de casa, era minha prima. Então me acostumei a ser igual a todo mundo. Fui criado com os antigos escravos do meu avô. Quando eu tinha 10 anos de idade, toda pessoa com mais de 40 anos tinha sido escrava. Conheci inclusive uma escrava, tia Vitória, que liderou uma rebelião contra o senhor. Não tenho senso de desigualdade social. Digo sempre, tenho temperamento conservador. Tenho temperamento conservador, atitudes liberais e ideias socialistas. Minha grande sorte foi não ter nascido em família nem importante nem rica, senão ia ser um reacionário. (risos).
A Teresina, que inspirou um livro com seu nome, o senhor conheceu depois?
Conheci em Poços de Caldas… essa era uma mulher extraordinária, uma anarquista, maior amiga da minha mãe. Tenho um livrinho sobre ela. Uma mulher formidável. Mas eu me politizei muito tarde, com 23, 24 anos de idade com o Paulo Emílio. Ele dizia: “é melhor ser fascista do que não ter ideologia”. Ele que me levou para a militância. Ele dizia com razão: cada geração tem o seu dever. O nosso dever era político.
E o dever da atual geração?
Ter saudade. Vocês pegaram um rabo de foguete danado.
No seu livro “Os parceiros do Rio Bonito” o senhor diz que é importante defender a reforma agrária não apenas por motivos econômicos, mas culturalmente. O que o senhor acha disso hoje?
Isso é uma coisa muito bonita do MST. No movimento das Ligas Camponesas não havia essa preocupação cultural, era mais econômica. Acho bonito isso que o MST faz: formar em curso superior quem trabalha na enxada. Essa preocupação cultural do MST já é um avanço extraordinário no caminho do socialismo. É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação, notícia… Minha tese de doutorado em ciências sociais foi sobre o camponês pobre de São Paulo – aquele que precisa arrendar terra, o parceiro. Em 1948, estava fazendo minha pesquisa num bairro rural de Bofete e tinha um informante muito bom, Nhô Samuel Antônio de Camargos. Ele dizia que tinha mais de 90 anos, mas não sabia quantos. Um dia ele me perguntou: “ô seu Antonio, o imperador vai indo bem? Não é mais aquele de barba branca, né?”. Eu disse pra ele: “não, agora é outro chamado Eurico Gaspar Dutra”. Quer dizer, ele está fora da cultura, para ele o imperador existe. Ele não sabe ler, não sabe escrever, não lê jornal. A humanização moderna depende da comunicação em grande parte. No dia em que o trabalhador tem o rádio em casa ele é outra pessoa. O problema é que os meios modernos de comunicação são muito venenosos. A televisão é uma praga. Eu adoro, hein? Moro sozinho, sozinho, sou viúvo e assisto televisão. Mas é uma praga. A coisa mais pérfida do capitalismo – por causa da necessidade cumulativa irreversível – é a sociedade de consumo. Marx não conheceu, não sei como ele veria. A televisão faz um inculcamento sublimar de dez em dez minutos, na cabeça de todos – na sua, na minha, do Sílvio Santos, do dono do Bradesco, do pobre diabo que não tem o que comer – imagens de whisky, automóvel, casa, roupa, viagem à Europa – cria necessidades. E claro que não dá condições para concretizá-las.
A sociedade de consumo está criando necessidades artificiais e está levando os que não têm ao desespero, à droga, miséria… Esse desejo da coisa nova é uma coisa poderosa. O capitalismo descobriu isso graças ao Henry Ford. O Ford tirou o automóvel da granfinagem e fez carro popular, vendia a 500 dólares. Estados Unidos inteiro começou a comprar automóvel, e o Ford foi ficando milionário. De repente o carro não vendia mais. Ele ficou desesperado, chamou os economistas, que estudaram e disseram: “mas é claro que não vende, o carro não acaba”. O produto industrial não pode ser eterno. O produto artesanal é feito para durar, mas o industrial não, ele tem que ser feito para acabar, essa é coisa mais diabólica do capitalismo. E o Ford entendeu isso, passou a mudar o modelo do carro a cada ano. Em um regime que fosse mais socialista seria preciso encontrar uma maneira de não falir as empresas, mas tornar os produtos duráveis, acabar com essa loucura da renovação. Hoje um automóvel é feito para acabar, a moda é feita para mudar. Essa ideia tem como miragem o lucro infinito. Enquanto a verdadeira miragem não é a do lucro infinito, é do bem-estar infinito.
QUEM É
Antonio Candido de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, concluiu seus estudos secundários em Poços de Caldas (MG) e ingressou na recém-fundada Universidade de São Paulo em 1937, no curso de Ciências Sociais. Com os amigos Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e outros fundou a revista Clima. Com Gilda de Mello e Souza, colega de revista e do intenso ambiente de debates sobre a cultura, foi casado por 60 anos. Defendeu sua tese de doutorado, publicada depois como o livro “Os Parceiros do Rio Bonito”, em 1954. De 1958 a 1960 foi professor de literatura na Faculdade de Filosofia de Assis. Em 1961, passou a dar aulas de teoria literária e literatura comparada na USP, onde foi professor e orientou trabalhos até se aposentar, em 1992. Na década de 1940, militou no Partido Socialista Brasileiro, fazendo oposição à ditadura Vargas. Em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Colaborou nos jornais Folha da Manhã e Diário de São Paulo, resenhando as primeiras obras literárias. É autor de inúmeros livros, atualmente reeditados pela editora Ouro sobre Azul, coordenada por sua filha, Ana Luisa Escorel.
Publicado originalmente na edição 435 do Brasil de Fato.
 

domingo, 18 de julho de 2010

Promoção do blog da Dady



Dentre os blogs dos novos seguidores que pintaram por aqui do blog, encontrei essa promoção do Blog Érrimo, da Dady Parra, que é um barato. Basta seguir o blog e deixar um comentário no post da promoção para participar do sorteio do livro Deluxe. Passa lá e já conhece o blog que é muito fofo.

domingo, 11 de abril de 2010

O Olhar de Antony - por Nílson Souza


O talentoso jornalista (e impagável piadista) Ivo Stigger me presenteou esta semana com a revista que edita para a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Como recebo dezenas de publicações por semana, quase sempre dou uma folheada e deixo de lado para ver mais tarde. Mas o olhar de Antony me fisgou. E quando me fixei mais atentamente no garotinho de um ano que ilustra a capa da publicação, fui fulminado pela cicatriz em seu peito – um corte da parte superior do esterno até o umbigo. Li a história do menino e me comovi mais ainda.

Antony, contam o editorial escrito por Stigger e a reportagem de Angela Caporal, viajou do Acre a Porto Alegre nos braços de sua mãe, de 18 anos, e de sua avó, para se livrar de uma doença congênita do coração. Foi operado no Hospital da Criança Santo Antônio, que desde 2002, graças a um mutirão de solidariedade feito no Estado, voltou a funcionar e passou a integrar o Complexo Hospitalar Santa Casa. Todo o tratamento do menino foi custeado pelo SUS – o nosso tão útil e tão malfalado sistema de saúde pública.

Fiquei longo tempo contemplando a foto do pequeno guerreiro, recém-saído da batalha pela vida. Ela documenta um milagre da medicina, que devolveu vigor ao coraçãozinho avariado. Mas retrata acima de tudo um episódio de coragem, de imensa coragem. Primeiro por parte das duas mulheres que atravessaram o país com sua frágil carga humana, protegida pelo invólucro do amor desinteressado e exclusivo das mães (avó é mãe ao quadrado). Depois, por parte de uma equipe de anônimos servidores da saúde que lidam diariamente com o sofrimento dos doentes, especialmente aqueles que cuidam das crianças enfermas. Porém, o mais impressionante gesto de coragem – na minha visão – foi praticado pelo homem do bisturi, que rasgou o peito delicado do menino para extrair o mal e para consertar os danos com os seus dedos de relojoeiro. Que destemor! Que determinação! Que precisão!

Sei que os cirurgiões fazem isso todos os dias, mas este fez o seu trabalho com tanta destreza e carinho, que, ao tocar no coração do garoto, fez acender uma luz mágica no seu olhar.


Essa crônica foi públicada na Zero Hora de ontem, 11/04/10 e quis dividir com vocês.
Obrigada a Nilson Souza por nos presentear com o olhar de Antony.
Escrita com muito carinho,não pude conter as lágrimas.
Agradeço a Deus pela saúde desse anjinho.
Em tempos de pacote de beleza, é bom ler um texto desses para nos sacudir da nossa futilidade.
abraços

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Dicas para escritor

Esse texto estava no blog da Livraria Cultura e resolvi compartilhar com vocês, pois achei as dicas de organização para escrever um livro super úteis. Quem quiser ler no original, clique aqui.
Como Planejar para escrever seu livro? Parte 1.
(por Christian Barbosa)
Recebi um monte de mensagens perguntando sobre como eu faço para escrever um livro, como me planejo e perguntas relacionadas. Esse post é um resumo da minha forma de me planejar, gerenciar meu tempo e escrever, o que não significa que é uma “best practice”, é apenas o jeito que encontrei e que talvez possa te ajudar.
Como foram dúvidas muito diferentes, vou dividir o post em 3 partes. A primeira é essa sobre planejamento. A segunda sobre o relacionamento com as Editoras e a parte final da escolha do tema, pesquisa e desdobramentos.
Passo 1 – Mapa Mental
A primeira coisa que faço quando recebo a encomenda de um livro ou quando estou pensando em escrever sobre um livro é o desdobramento do livro em um mapa mental. Antes do livro começar eu já sei o começo, meio e o fim. Isso guia meu raciocínio lógico.
Eu já comentei sobre mapas mentais aqui no blog, essa técnica é muito legal para ter as macro idéias.
O que não significa que não possam haver alterações! Claro que elas acontecem, mas nunca fugi muito do plano inicial.
No meu último livro – Mais Tempo Mais Dinheiro o processo foi exatamente esse. Em um sábado, em Santos, agendei a reunião de planejamento com o Cerbasi e fiz o mapa mental que vocês podem conferir. Essa é a versão ORIGINAL, durante o nosso brainstorm (desconsiderem eventuais erros de ortografia). Quem leu o livro e comparar vai ver que seguimos 85% desse roteiro. No começo o nome dos ciclos eram outros, quando começamos a escrever isso mudou e acrescentamos o ciclo da Frustração. Essa reunião demorou exatamente 4 horas, pois nas palestras que fazíamos em conjunto há mais de 5 anos, nas salas de aeroporto, nos almoços, já fazíamos um “brainstorm não estruturado” juntando as pecinhas de tempo e dinheiro, então facilitou o trabalho.
Se um capítulo encrespar de dificuldade, eu volto no mapa e faço mais detalhes macro do capítulo, o que ajuda o texto a fluir.

Passo 2 – Planejamento de Execução
Com o mapa mental na mão é o momento de começar a colocar o brainstorm de uma forma que eu execute ao longo do meu dia-a-dia. O que eu faço é ir no Neotriad, crio um Projeto ou uma Meta (depende do nível de desafio do livro) e defino as atividades (tarefas) da seguinte forma:
1 – Cada capítulo vira uma tarefa com duração de 30 minutos, mas com data de início na segunda e data de término no domingo de uma semana específica. Por que isso:
- Eu não sou aqueles caras que sentam e escrevem com facilidade, eu preciso estar disposto, com saco e motivado a escrever.
- Cada capítulo, em média eu gasto uma média de 4 horas para escrever (depois de pesquisa, brainstorm, etc). Mas EU não agüento escrever horas seguidas e também eu não uso meu horário comercial para escrever (escrevo a noite), por isso eu deixo essa tarefa no meu Neotriad que vai aparecer a semana toda sem atrasar. O dia que eu estiver com saco, eu sento e escrevo, o que em geral dá uns 30 minutos. Tem semana que todo dia eu escrevo 30 minutos, em outras, eu escrevo 1 hora na sexta, 1 hora no sábado e fecho no domingo. Isso me dá flexibilidade, não prejudica meu planejamento de horas e faz com que eu não atrase o capítulo.
Abaixo segue o planejamento do livro Estou em Reunião direto do Neotriad. Eu tenho um meta de livros para 2010, então eu faço o planejamento todo ali. Reparem que eu coloco a data que vou fazer a entrega final do texto para editora (em geral 1 mês de antecedência do prazo deles), crio também tarefas de revisão e pesquisa, que não fazem parte da tarefa de escrita.


Como eu escrevo?
Como já afirmei eu não sou um escritor de profissão, tenho de ser persistente para escrever, preciso estar realmente a fim de fazer. Eu não faço retiro espiritual, período sabático, etc. Eu escrevo em CASA, na minha sala de TV, após meu horário de trabalho, após as crianças irem para a cama.
Eu preciso de som/tv para escrever, logo sempre escrevo ouvindo música, DVD ou principalmente vendo NOVELA ou SÉRIE (sim eu vejo novela)! Quando estava a novela Caminho da Índias (que era muito legal) o livro Mais Tempo Mais DInheiro, fluiu que foi uma beleza.
Agora a novela Viver a Vida tá mais chata que jogo de futebol, então o livro também tá difícil de sair. Espero que a novela melhore ou vou atrasar o livro! ahahahah
Eu uso o Microsoft Word, com zoom de 120% em um template que já tem formatado os estilos de Texto, Título, Sub-título, Capítulo que me fazem ganhar tempo na diagramação. Uso fonte arial 11, com espaçamento de 1,5.
Passo 3 – Revisão / Releitura
Ai está o maior problema das pessoas que querem escrever seus livros: eles voltam demais no texto escrito. Mexem tanto na busca da perfeição que não conseguem evoluir. Eu odeio reler algo que escrevi, eu penso muito mais rápido do que escrevo e isso as vezes come umas palavras e o sentido não fica tão bom. Mas se eu ficar parando para revisar quebra meu ritmo.
O que faço é escrever tudo sequencialmente. Quando acabo o capítulo passo par alguém revisar. Quem faz esse papel é o Eric, revisor e pesquisador da Triad e principalmente (já fazendo uma linda homenagem) a minha esposa! Que pacientemente lê, crítica, muda e opina em todos os capítulos que escrevo. Eu mando o Word para ela que me devolve revisado e pronto. Nem vejo nada, a não ser quando tem alguma observação dela que preciso mudar alguma coisa.
Quando tem dado de pesquisa ou estatística, passa pelo Eric para revisar os números também.
Eu só vou reler o livro, depois que envio o texto original para a editora, eles fazem a revisão deles e me enviam para aprovação final.
Passo 4 – Estratégia de Lançamento / Marketing
Enquanto estou no processo de revisão eu também crio as atividades de marketing do livro, como site, vídeos, testes, parceria com imprensa, distribuição a clientes ou parceiros, seleção de blogs para envio de resenhas, etc. Tudo se transforma em um projeto de marketing que é compartilhado coma minha agência.
Independente do marketing da editora, a minha equipe faz todo o planejamento, revisão e sugerem algumas peças também.
Parcerias com livrarias, palestras e eventos em geral também são acordados nessa fase com a editora. O que eu faço é transformar tudo em tarefas de quando será feito e crio uma tarefa de follow-up para saber se foi realmente executado.
As imagens mostram o anúncio do livro em algumas revistas e a parceria com o Submarino, que saiu em um anúncio no Estado de São Paulo.
Nesse momento também já começamos a preparar uns 3-4 releases sobe o livro que a equipe da minha assessoria de imprensa começa a disparar.
No começo essa parte de imprensa era muito complicada, ninguém sabia quem eu era e ninguém me dava espaço. Mas sou extremamente persistente e hoje conseguimos emplacar sempre em cada lançamento umas 80-120 matérias sobre o livro na imprensa geral. Também seleciono alguns veículos para dar entrevistas ou conteúdo exclusivos. Sem esses parceiros não tem livro! Por melhor que seja. É importante respeitar a mídia, ser parceiro e ajudar. Nada de frescuras ou não me toques. Eu atendo todo mundo e trato igual, seja a Revista Veja ou a Zé da Esquina.
(veja nossas publicações na imprensa: www.triadps.com/imprensa)
É isso! Simples assim! Não tem mágica, simpatia ou ghost writer. Eu demorei 30 minutos pra escrever esse post, fiz porque estava afim e porque gostei da sugestão dos leitores. Eu só escrevo coisas que acredito, que pratico e que acho que podem ajudar alguém. Ache um propósito, descubra um por que e você vai ver seu livro sair!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Crônicas da vida praiana - David Coimbra

Talvez vocês tenham acompanhado as várias crônicas do David Coimbra na semana passada, na Zero Hora, contando sobre a vida praiana. São ilárias. Me diverti muito lendo e ficava esperando a próxima. Pena que acabou, agora quem está de cronista é a Fernanda Zaffari. Outro estilo.
Assim, resolvi dividir com vocês uma delas e deixar o link das demais, caso gostem e queiram conferir.
O que devo usar à beira-mar (06/01/10): clique aqui
Coisas estranhas da vida praiana (07/01/10): clique aqui
A mulher do surfista (08/01/10): clique aqui
Como plantar o guarda-sol (09/01/10): clique aqui
Um mundo que não é, nem nunca será, o seu (10/01/10): clique aqui

Quatro maridos de Xangri-lá (05/01/10)

O impacto da presença de uma loira de biquíni branco nas areias de Xangri-lá, sobretudo o que isso provoca aos olhos de homens casados, abre as impressões do cronista David Coimbra sobre o que ocorre na orla gaúcha. A efervescência do litoral será tema de convidados e profissionais da RBS, que escreverão neste espaço até o fim da temporada de veraneio.

Avida praiana não é feita para o homem casado. Alcancei tal verdade no meio da tarde de ontem, depois de quase um dia inteiro de reflexões sobre as areias molhadas de Xangri-lá. Tudo por causa de uma loira de biquíni branco.

As loiras de biquíni branco são diferentes das morenas, das negras, das ruivas, das japonesas e até das outras loiras. Uma loira, quando enverga um biquíni branco e sai por aí, ela não é uma loira qualquer. Ela tem confiança. O seu bronzeado está escorreito, as suas carnes estão duras, ela sabe que, ao pisar com seu pezinho macio na areia fofa, nada em seu corpo irá balançar mais do que deve balançar.

Assim é a loira de biquíni branco.

Ontem, em meio a um dia indeciso entre o sol pálido e a chuva rala, uma dessas loiras fez sua incursão por Xangri-lá, e o fez desacompanhada e sem canga, apenas ela, seus grandes óculos escuros e seu minúsculo biquíni branco adereçado com delicados motivos florais cor-de-rosa.

Essa loira, que, soube depois, chama-se Greta, vive o frescor dos 18 anos de idade e mora nas alturas de Caxias, ela nem havaianas calçava, ela estava recostada na areia e, num rompante, ergueu-se e fez com que suas longas pernas dessem passos de gazela à margem do mar, ela caminhava com garridice, o narizinho empinado ainda mais empinado, sorvendo o ar ameno de um dia cinza do litoral.

Foi essa a imagem que alguns homens casados avistaram ontem, à franja da praia de Xangri-lá. Entenda: não se tratava de um grupo de homens casados. Eles não formavam um conjunto. Eram vários homens casados isolados, cada qual em seu núcleo familiar, e eis aí a razão do drama.

Um homem casado é um triste ser, quando se aventura pela vida praiana. Porque sua mulher ficará tomando sol – as mulheres fazem isso. Não por diversão, as mulheres são em geral sérias, não têm apreço especial pela diversão. Elas tomam sol com o objetivo de, ao voltar para a cidade, mostrar sua nova cor durante uma semana, ao cabo da qual, desbotam, empalidecem e entristecem.

Então, a mulher tem o que fazer, às fímbrias do Mar Oceano. As crianças, idem. Crianças são como homens adultos – gostam de se divertir. A diferença é que um homem adulto, casado e apartado dos outros homens, esse homem não tem absolutamente o que fazer na vida praiana. Ele se instala em sua cadeirinha de plástico ao lado da mulher que assa ao sol, e fica olhando para o mar. Ler ele não lê, devido à luminosidade ofuscante que incide sobre as páginas ou devido ao vento, que leva as folhas do jornal. Jogar bola? Só se tivesse uma turma, e ele não tem. Ele está só.

O que ele faz, então? Ele fica olhando para as ondas que vêm e vão, vêm e vão, vêm e vão, num movimento tão eterno como monótono. Ele deveria estar em seu ambiente, na amenidade civilizada do ar-condicionado, mas não, ele está à mercê da Natureza indômita, com os pés descalços pisando sobre tudo o que os demais seres humanos e animais rojam à areia, sentindo na pele desprotegida a ação do vento pegajoso que sopra do mar, do sol rascante acima de sua cabeça, dos eflúvios de iodo da atmosfera marinha. E o que ele pode fazer a respeito? Nada, senão olhar para as ondas que vêm e vão, vêm e vão... E, vez em quando, apreciar algum evento inesperado: um cachorro passa, e o homem casado o observa; lá se vai aquela gorda de maiô, e o homem casado lança às nuvens um suspiro de conformação; um publicitário careca caminha à frente do seu rabo de cavalo, e o homem casado não pensa nada. O homem casado agora confere o relógio de pulso: passaram-se 18 minutos desde que ele chegou à areia. Ainda há três horas e 42 minutos pela frente, até sua mulher terminar de assar. O tédio. O tédio.

Mas pode ocorrer o que ocorreu ontem em Xangri-lá. Pode ocorrer de uma loira de biquíni branco fazer sua aparição. Aquela o fez. Greta. Lânguida, sinuosa, esguia, de pele provavelmente macia ao toque. Havia quatro homens casados na região. Não se conheciam, estavam conscritos às suas células familiares, atrás de seus óculos escuros e de suas barrigas venerandas. A loira levantou-se da areia, sua silhueta surgiu, e o primeiro homem casado a divisou. Mexeu-se na cadeirinha, e sua agitação como que se transferiu para os outros homens casados numa onda de eletricidade. Todos ficaram inquietos e se entreolharam. Eram estranhos, mas, naquele momento, havia algo em comum entre eles. Queriam se comunicar, queriam comentar, queriam rir juntos, mas não podiam. Suas esposas assavam logo ali. E a loira veio vindo e veio vindo e veio vindo.

E veio.

Ingressou na área em que os homens casados estavam acomodados. Eles retesaram os músculos, percebia-se que a loira era como que uma aragem de felicidade a lhes bafejar naquele dia em que nada acontecia, em que nem o sol estava convicto de ir para a orla. Seus rostos se iluminaram, a vida se lhes correu quente nas veias, o mundo era belo de novo.

Aí uma esposa viu.

Ergueu a cabeça da canga estendida na areia, e viu a loira que passava. Grunhiu. Foi como um alarme primevo que avisou as demais esposas do perigo iminente. Elas se moveram, olharam para os maridos. Uma censurou o seu com um “que que está olhando?”, a outra guinchou, a terceira chamou o pobre por nome e sobrenome, e então os quatro maridos de Xangri-lá desviaram os olhares da loira, murcharam em suas cadeirinhas e voltaram a olhar para o mar que ia e vinha, ia e vinha, ia e vinha, para sempre...

Não, a vida praiana não é feita para o homem casado.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Crônica do David Coimbra - O Sal da Terra


fonte: google imagens
Gostei muito da crônica do David Coimbra na Zero Hora de ontem. Me fez pensar que, nesses tempos de internet, em que não damos conta de absorver toda a informação e todas as ferramentas disponíveis (orkut, email, twitter, facebook, myspace, blog, etc.) é hora de nos perguntarmos se não estamos perdendo muito tempo com o mundo e relacionamentos virtuais e esquecendo do que realmente importa: as pessoas. Eis a crônica:

O sal da terra
Sei o que Jesus quis dizer com a frase: – Vós sois o sal da terra. Não falo do Jesus da religião. Em assuntos de religião não existe debate. A fé é indiscutível. Refiro-me ao Jesus filósofo e, em filosofia, tudo se discute.
O sal da terra.
Somos nós. As pessoas. Nós é que somos importantes, dizia o filósofo Jesus, o resto é secundário.
O jornalismo, por exemplo. O jornalismo tem a pretensão de abranger e abordar todas as atividades humanas contemporâneas. Divide a vida em seções, chama-as de editorias (Economia, Política, Esporte, Polícia etc.) e tenta contar o que acontece nessas áreas todos os dias.
Consegue.
Um jornal moderno é um resumo quase exato e quase preciso da vida moderna. O jornal trata de tudo, menos do mais importante. Na verdade, o jornalismo não trata de nada do que é realmente importante.
Há várias maneiras de descobrir o que é realmente importante. Duas radicais são:
1. Apaixonar-se.
2. Entrar em depressão.
Pessoas deprimidas ou apaixonadas compreendem à perfeição que o mais importante da vida não é o dinheiro, as eleições ou o jogo de domingo. Essas pessoas compreendem que o mais importante são as outras pessoas.
Mas tanto a paixão quanto a depressão são estados doentios da alma. Melhor compreender o que é realmente importante observando as pessoas mais sábias.
Que são as mães.
Cazuza cantava que só as mães são felizes. Perfeito. Mas não as festejadas mães que se orgulham de partilhar o tempo entre os filhos e a carreira profissional, as mães de suplemento feminino. Estas não são felizes. Falo das antigas mães, para quem a “carreira” não era importante.
Porque “carreira” não é importante.
Aquelas mães de pé de forno, de cheiro quente de bolo, aquelas mães de avental riam-se à sorrelfa dos homens e suas preocupações menores, como quem vai ser o próximo presidente da República. Sabiam, aquelas mães, que, como escreveu Caetano Veloso, a coisa mais certa de todas as coisas não vale um caminho sob o sol, e que nada, nada!, do que está no jornal vale mais do que uma noite de gargalhadas com bons amigos.
Por isso, quando a política é feita com insultos, como ora ocorre no Rio Grande do Sul, quando se discutem reputações, em vez de ideias, como ora ocorre no Rio Grande do Sul, quando, enfim, as pessoas são agredidas em qualquer âmbito e por qualquer motivo, a Humanidade fica menor. Porque a política e as ideias importam, mas nem tanto. O que importa são as pessoas.
As pessoas.
O sal da terra.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Vídeo "Ler ou não ler" - no blog Textículos

Achei um amor o vídeo de divulgação da Feira do Livro de São Leopoldo, que teve direção do Jari da Rocha, titular do blog TEXTÍCULOS. O vídeo está lá no blog dele e para conferir, basta clicar aqui.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Porta-malas - por Fabiana Campagna


Segue mais um texto enviado pela Fabiana Campagna. Achei muito legal a metáfora do porta-malas. O perfil dela está em post anterior "não sei brincar de bonecas". Obrigada Fabi por mais esta colaboração.

Hoje constatei que o porta-malas do meu carro é a manifestação do meu estado interior. De como ando me sentindo... E não adianta. Não consigo andar com ele vazio. Por mais que eu deseje isso, não consigo. E isso tem me intrigado.

Eu olho aquele compartimento enorme, cheio de coisas atulhadas, fazendo peso, roupas para costureira, sapatos pra mandar ao sapateiro, uma webcam pra instalar no notebook, semanas e mais semanas andando comigo e fico mal. Que capacidade que tenho de deixar coisas paradas em um canto, sem uso ou um fim! (Ou um começo!)
Já tentei tirar tudo que tenho lá dentro, mas a limpeza não dura um dia e já enfio outra tralha no lugar. Aí é que vem a tal da manifestação de que falei no início deste texto: eu ando cheia e preciso do vazio, da minha cabeça limpa, do corpo leve, das emoções soltas. Preciso tirar do meu porta-malas a seriedade com que olho pra tudo. A preocupação com o que vem depois e uma culpa sei lá do que gravada no meu cérebro.

Eu percebo, em mim, que os espaços vazios são difíceis de acontecer. Acordo, tomo banho, café, filha, colégio, trabalho, casa, almoço, relacionamento, exercício físico, janta, cama. Cada coisa parece representar um objeto jogado lá dentro. E quando me dou conta o tal do porta-malas nem sequer fecha mais! Aí começo a ocupar o banco traseiro do carro. Sim, porque ali ainda cabe a ligação que eu devo retornar a uma amiga, o dinheiro que nunca parece o suficiente, o negócio que não fechei, um prazo que não cumpri, a culpa por comprar uma roupa que não precisava – afinal de contas ainda tenho aquela para mandar a costureira. E assim acabo não enxergando mais o vidro traseiro do carro pelo espelho retrovisor. Não dá. Não há espaço.
Mas eu tomei uma decisão: prometo que vou tentar não carregar nada além do necessário para ir e vir, livre. Vou trocar meu carro por uma moto.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Não sei brincar com bonecas - por Fabiana Campagna


Estou publicando um texto recebido da Fabiana Camapagna, do blog Monto e desmonto
Fiquei super feliz com a participação dela aqui no blog. Segue o perfil dessa escritora, segundo ela mesma, e o texto "Não sei brincar com bonecas".
“Nascida em Porto Alegre, 37 anos, mãe, curiosa, graduada em Comunicação Social – RP pela PUCRS. Neste ano assumi que gosto da escrita e fiz uma Oficina Literária com Fabrício Carpinejar, quebrando o cadeado da porta por onde passam meus sonhos e vontades. Procuro o novo nas coisas que se repetem no dia-a-dia e escrevendo percebo e vivo intensamente as novidades descobertas. E tudo que escrevo me alivia, me faz rir, me arrepia.”

Não sei Brincar com bonecas

Nunca soube brincar de boneca. Sempre preferi outras brincadeiras a colocá-las no meio do meu dia. Brincava de ser professora, secretária, de pega-pega, empurrar pneu velho no pátio do colégio, de carrinho ou andar de balanço. Qualquer coisa mais legal do que travar diálogos e encenar com Suzies – pois Barbies não são figuras da minha infância.

Mas agora eu tenho um conflito. Não muito grande, mas significativo. Minha filha me convida para brincar de Barbie. Ela tem sete anos, vinte bonequinhas e um repertório fantástico de encenações com poderosa carga dramática. Material suficiente para gerar muitas horas de brincadeira. Penso que preciso experimentar a viagem e tento entrar no clima. Em instantes, temos o mini-cenário pronto e os papéis definidos: eu sou filha e ela, a mãe. Começo a brincar e minha mente, imediatamente, dispara críticas - “Tu não sabe brincar disso, mesmo!”, “Tu é ruim nesse negócio, hein?!?”, “Ah! Vamos acabar logo com isso, pelo Amor de Deus!”. É aí que resolvo dizer a ela que não sei brincar; e digo. Vem a resposta imediata “Mãe tu brinca tri bem de boneca!” e aqueles olhos vibrantes, felizes afirmam que sou ótima no ofício. Então, suspiro, me posiciono melhor no chão do quarto, tentando me entregar mais.

Neste exato momento, percebo que a questão não é saber ou não brincar de boneca. Eu acho chato brincar com elas. Bonecas não me dizem nada. Não me inspiram. Não me tocam. Não falam, não beijam, não abraçam, não sentem. Mas o que faço? Digo que acho chato? Ou vou além dos meus conceitos? Afinal, é bem possível que elas sirvam como ponte para acessar a imaginação infantil, tão fértil, sem limites, aberta, e, no final das contas, me mostrar o quanto é fácil ser feliz. Felicidade feita de simples brincadeira e um bom abraço no final.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ensaio sobre a Cegueira

Minha amiga Maria Augusta Menz escreveu um artigo muito legal comentando o livro/filme Ensaio sobre a Cegueira do Saramago e comparando com a atividade do Promotor de Justiça. Mas a análise é válida para todas as profissões que lidam com pessoas. Então com a concordância dela, estou postando o artigo aqui para que todos tenham a oportundiade de ler e refletir sobre ele. O artigo foi publicado no Jornal O sul de domingo. Parabéns, Guta pelo excelente texto!

E a nossa cegueira? - Maria Augusta Menz, Promotora de Justiça

Para mim, na condição de leiga, um dos maiores méritos de um filme, o que o qualifica como excelente, é o impacto que ele é capaz de causar. O mesmo posso dizer de um livro.
Nutria por José Saramago e seus livros um sentimento oscilante, já que, confesso minha estupidez, após devorar o “Evangelho de Jesus Cristo” – que adorei - abandonei inacabados todos os demais livros deste autor por achá-los um tanto enfadonhos. O “Ensaio sobre a Cegueira”, por outros motivos, também foi um dos abandonados, primeiro pois não fui capaz de atravessar a cena dos estupros coletivos, segundo pela carga emocional crescente de desespero e horror que o autor, magistralmente, conseguiu imprimir.
Assistindo a “Blindness”, o filme de Meirelles, fui capaz de acompanhar a narrativa até o final. O filme é excelente! A cegueira, uma metáfora da dificuldade que temos em ver o outro, da indiferença pelo nosso semelhante, no filme e no livro nivela e despoja todos os seres humanos, remetendo-os à condição original de recém-nascidos em um mundo sem visão, onde deixam de fazer sentido os papéis que cada um desempenha na sociedade, e todos tateiam, desesperados, desconhecendo os caminhos e os signos desta nova condição.
Somos remetidos a uma reflexão profunda sobre a condição humana, sobre as decisões e opções que o homem - como ser social, como indivíduo – ao ser confrontado com uma grave situação de crise, tem e toma, como se organizam os grupos e como se divide o poder.
Em contraponto à cegueira, temos a situação da única pessoa que não perde a visão, e as habilidades do cego de nascença, personagens que nos fazem pensar sobre o uso do poder e a forma como pode ser utilizado como instrumento para o bem e para o mal.
Ou seja, o filme, o livro muito mais, é ótimo pois causa profundo impacto e faz refletir, em diversos aspectos e ângulos.
Trazendo o tema para nossa atuação no Ministério Público podemos nos questionar até que ponto enxergamos realmente o ser humano por trás do processo, do conjunto maçante de papel que atravanca nossas escrivaninhas. Será que somos capazes de ver o indivíduo real, suas angústias, suas dores, o caminho que percorreu até chegar a nós, com suas reivindicações, seus litígios? Corremos o risco de esquecer o homem, a mulher ou a criança destinatária de nosso trabalho, diante da imensidão de afazeres e do afã de cumprir prazos, frente à rotina estafante. Corremos o risco da cegueira.
Outra abordagem interessante para que possamos fazer uma reflexão sobre nossa atuação como Promotores e Procuradores de Justiça está em questionar o que fazemos com o poder que nos é dado em nossa atividade. Agimos para o bem da sociedade, ou muitas vezes nos deixamos levar por nossas vaidades e interesses pessoais, atuando, se não para o mal, para fins que não são os melhores e os mais elevados? Certamente não podemos deixar de fazer esta pergunta.
Questionar criticamente nossa atuação diária, por melhor que seja, é um exercício saudável de depuração e de aprimoramento pessoal e profissional que, certamente, nos livrará da cegueira sobre nós mesmos e sobre os demais, nos mantendo sempre atentos e de olhos bem abertos, colocando em xeque a imagem de Minerva como a deusa cega da Justiça. A Justiça não pode ser cega e nós, como Promotores de Justiça, não podemos compactuar com a cegueira, mas, para tanto, temos que, primeiro, ser capazes de impedir que a venda venha a cobrir nossos olhos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Barriguinha, quem não tem?


Achei o máximo a coluna da Martha Medeiros de hoje na zero hora falando sobre a foto da mulher da página 194, em que uma linda modelo aparece ostentando uma barriguinha saliente.
No blog da Martha choveram comentários favoráveis, pois barriga é uma coisa real, humana, e nem por isso a gente deixa de ser interessante e sexy. O que não é normal é a anorexia imperante do mundo fashion. Ok, também acho legal não ter barriga, mas desde que para isso não tenha que ficar com menos de 50 quilos, o que no meu caso importa em não ter mais perna, bunda, braço, bochechas, etc. Uma vez, fiquei com 48 quilos e virei uma vara, perdi todas as minhas curvas. De novo, o excesso nunca é a melhor opção.
Leiam mais no blog da escritora:
http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt§ion=Blogs&post=222161&blog=255&coldir=1&topo=3951.dwt

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Para pensar

Que tempo é este, em que falar de árvores é quase um crime, pois importa em calar sobre tantos horrores.
BERTOLT BRECHT

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Texto da Guta

Oi pessoal!
Olha que legal, a Guta mandou uma contriuição: um texto que ela escreveu sobre o tempo. Vale a pena refletir sobre ele, porque muitas vezes deixamos o tempo passar, sem dar muita atenção, e quando vimos, pode ser tarde para algumas coisas.

TEMPO - Maria Augusta Menz
Tempo, instável, caprichoso, inconstante.
Quando desejávamos que voasse, caminhava. Lentamente, à torturantes passos de tartaruga. Os segundos arrastavam-se, os minutos não passavam, as horas alongavam-se infinitamente.
Hoje, quando precisamos dele, voa. Instantaneamente, segundos, minutos, horas, dias, meses, até mesmo anos, passam por nós e nos pegam surpresos, senão envelhecidos.
Capaz de nos pregar tantas peças. Na infância, aguardando ansiosamente o aniversário e o Natal que nunca, nunca, nunca, chegava. Hoje atropelando-nos, atônitos, com a sucessão atordoante e ininterrupta de anos.
Crianças, impacientava-nos a expectativa de tanta vida pela frente, o tempo exasperava. Adultos, esquecemos de vivê-la: não temos tempo para nós, para os que amamos, para os amigos. Assoberbados com as tarefas que nos impomos, distraídos com fúteis afazeres, perdemos o tempo e desperdiçamos a vida.
Tempo, precioso e único tempo de nossas vidas, dê-nos mais tempo, agora que o queremos.

domingo, 6 de abril de 2008

Versão

Versão Gustavo Luiz para a crônica Escolhas:
"Meu pai queria que eu fosse fazendeiro. Escolhi a mulher que amo."
É um fofo, mesmo!

sábado, 10 de novembro de 2007

Enquanto ele não chegar... - Barão Vermelho


Quantas coisas eu ainda vou provar
E quantas vezes para a porta eu vou olhar
Quantos carros nessa rua vão passar
Enquanto ele não chegar
Quantos dias eu ainda vou esperar
E quantas estrelas eu vou tentar contar
E quantas luzes na cidade vão se apagar
Enquanto ele não chegar
Eu tenho andado tão sozinha
Que eu nem sei no que acreditar
E a paz que busco agora
Nem a dor vai me negar
Não deixe o sol morrer
Errar é aprender
Viver é deixar viver
Não deixe o sol morrer
Errar é aprender
Viver é deixar viver
Quantas besteiras eu ainda vou pensar
E quantos sonhos no tempo vão se esfarelar
Quantas vezes eu vou me criticar
Enquanto ele não chegar
(Adaptado da música "Enquanto Ela Não Chegar" do Barão Vermelho)