Um aprendizado importante dessa viagem à Tailândia foi se dar conta de parar alguns instantes para sentir o momento e os lugares. Às vezes a gente corre tanto querendo conhecer o máximo de lugares que não consegue sentir a vibe do local e perceber os sentimentos que aquela experiência despertou. Eu estava num país cheio de templos budistas, mas foi o período em que menos meditei, porque acordávamos muito cedo para os passeios e corríamos o dia todo sem parar. Eu geralmente medito ao acordar. E senti falta de poder fazer isso. Muitas vezes me peguei pensando que estava correndo demais e não estava aproveitando de fato o momento e o aprendizado. Então sempre que havia alguma pausa, eu tentava me reconectar comigo mesma, e com o universo a minha volta, procurando o sentido de tudo aquilo que estava vivendo e conhecendo. A paz interior depende muito da gente encontrar os espaços para exercitar a nossa calma e respeitar o nosso corpo e o nosso tempo interior. Talvez algumas pessoas possam achar que puxo o freio de mão, pois às vezes quero ficar apenas parada contemplando uma praia ou uma paisagem, ao invés de fazer um novo passeio. Tenho consciência que jamais verei tudo e conhecerei tudo. Assim prefiro apenas demorar-me mais em um local, respeitar meu corpo, que às vezes precisa de um descanso, minha mente, que precisa de um tempo para assimilar tanta informação, a sair feito tsunami varrendo tudo. Ainda assim, em muitos momentos da viagem me senti no meio do tsunami, engolindo tudo pela frente, sem absorver direito. Foram muito importantes os momentos de pausa para de fato curtir aquela realidade e cultura tão diferentes. Isso acontece também no nosso dia a dia. Somos atropeladas pela correria diária e vivemos no piloto automático. Poder parar um momento para fazer um levantamento daquilo que estamos vivendo, listar tudo que deu certo e ser grata, ou, ainda, analisar o que deu errado para pensar o que nós podemos tirar de lição com aquilo e como podemos superar ou crescer, são detalhes que farão toda a diferença na qualidade da nossa vida. A viagem à Tailândia acabou, mas ainda pretendo falar bastante sobre ela, acerca de curiosidades e aprendizados, até porque agora que parei de verdade, estou assimilando melhor tudo que a gente viveu nesse país tão diferente.
Mostrando postagens com marcador texto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador texto. Mostrar todas as postagens
domingo, 24 de fevereiro de 2019
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Notas de um Coração Partido
Esse texto eu escrevi há algum tempo, num momento de rompimento. Mas é incrível como ele serve para todas as situações de rompimentos amorosos da vida. Antigos, atuais, futuros. Parece que não tem saída quando a saída é apenas um dia depois do outro.
Notas sobre um coração partido
Você já teve um coração partido. A dor é física. Falta o ar. As borboletas que vc sentia no estômago viraram morcegos de desconforto. Lágrimas brotam do nada junto com uma lembrança inchando seus olhos e fazendo aquele choro inocente virar desespero.
Você já teve um coração partido. Bate um medo... não, na verdade é um terror de que vc NUNCA mais vai ser feliz de novo. Ninguém vai ser tão perfeito, dizer aquilo que vc gostava de ouvir, tocar do jeito que ele te tocava, ter a textura da pele dele, a boca, as mãos, o cheiro, o carinho, a pegada, todas as descobertas que fizeram no corpo um do outro, as sensações que provocaram, os sabores que provaram. As conversas, as risadas, os planos, as viagens, os jantares, os passeios...
Você já teve um coração partido. A pessoa mais incrível do mundo chega de uma hora para outra e te diz que acabou. Sem conversa, sem muita explicação, sem anestesia. Você quer entender por que ontem os planos era de ficarem juntos pra sempre, curtir a vida a dois, manter no outro o brilho no olho, mas as explicações não vem, ou não tem lógica, são palavras soltas sem sentido, e o sentido por você é que tudo começa a desmoronar dentro de si... planos, sentimentos, você inteira. Vc quer se agarrar na pessoa, mas só tem a si mesma. E nessas horas o choro, as lamentações só fazem o outro sentir pena de você e não adianta nada no resultado final pra alguém que já se decidiu. A pessoa fez uma escolha. Não quer mais ficar com você. Ponto. Os motivos serão apenas tentativas de explicação para algo que não faz sentido, e que você precisaria ouvir para tentar se conformar. Mas a explicação não vem. A pior coisa do mundo é ter uma ruptura na fase da demência da paixão.
Você já teve um coração partido. Você até enxerga que aquela decisão é melhor para vocês dois, pois são muito diferentes, funcionam e reagem muito diferente, blá, blá...tudo bobagem. O que conta mesmo para você é toda a sintonia corporal e de alma que vc sente quando estão juntos. O restante se ajeita, se conversa, se negocia. Adultos fazem isso. Resolvem os problemas. Só que se o outro não está disposto, não quer pagar o preço, fez sua escolha, só lhe resta virar a página.
Você já teve um coração partido. A vontade é de chamar de cafajeste, desgraçado, mentiroso pular no pescoço dele e fazer amor no tapete da sala, resolvendo tudo. Não, você aguenta, engole o choro, se faz de durona, não é fácil ser jogada fora... Depois vai se acabar chorando...Não importa. Odeia que sintam pena de você.
Você já teve o coração partido. A sensação é de abstinência, como se tivessem tirado uma droga de você. É sofrimento físico mesmo. E estudos dizem que o efeito é mesmo como da falta de drogas por um viciado. A paixão faz a gente ficar viciada no outro. E sente que vai morrer se ficar sem. E você se sente morta mesmo por dentro. Os morcegos vão lhe consumindo.
O remédio, segundo os estudos, seria lembrar dos defeitos da pessoa e da relação, do que não funcionava. Tem defeitos sim, pense bem. Lembre de quão miserável ele fez você se sentir. Além disso, se agarre à meditação. Você perceber que não é os próprios pensamentos, que os pensamentos na pessoa virão e que temos que deixar que venham e vão. Apenas o exercício de identificar esses pensamentos e as reações que eles provocam ajudam você a se conhecer melhor, se observar, e respirar e controlar as emoções. Você é a sua melhor amiga, seu melhor conforto.
Você já teve um coração partido. Então você sabe que tudo que fizer pra esquecer é palitivo. Só o tempo cura. Dê um jeito de (sobre)viver até esse momento. Até o momento que aquele brilho que você tinha ressurja, pela vida, por você mesma, por outra pessoa. E isso vai ocorrer um dia. Essa é a única certeza. Até lá, pode acreditar, vai ser fogo.
sexta-feira, 15 de junho de 2018
Sobre as coisas que fazem bem à alma
Eu ando lendo, pensando, escrevendo e
falando sobre metas, produtividade, empreendedorismo, marketing digital. Espera
um pouco, cadê a minha poesia? Eu sou escritora e tenho que escrever sobre
aquilo que toca a alma, que é o que tem graça de escrever, o que eu gosto de
ler, o que emociona. Onde foi, então, que me perdi?
Certo, eu sei que, na era da
informação, para alguém querer ler o que eu escrevo, é preciso se promover, ser
conhecida, e, desde que reativei o blog e meus canais de publicação, facebook,
instagram, you tube, tenho deixado o olhar poético em segundo plano e me
dedicado a aprender como chegar no meu público, divulgar conteúdo, meu livro
infantil, Picolé Lelé, etc, dentre outras questões
que não tem a ver com o conteúdo.
Aí eu fui num evento que tinha como
tema o enfrentamento do medo, e como ter coragem de ser você mesmo. E eu chorei
em vários momentos, quando encontrei poesia na fala, quando encontrei
sentimento exposto, quando encontrei humanidades, fraquezas e superações. Eu chorei
ouvindo a filha do Rubem Alves falar do pai, falar de coisas da alma, do
coração. E chorei ouvindo a moça da plateia contar que o Rubem Alves ia à sua
escola, quando ela era criança, e pedia pela menina que dançava, e pedia um
abraço, entregava-lhe um livro com dedicatória à menina dos olhos que dançavam,
e o resto eu não sei, porque já não conseguia ouvir e entender o final, pois a
emoção já tomava conta de todos, e também daquela que narrava o episódio, com
voz sumida, pois igualmente engasgada. E eu chorei, do nada, no restaurante,
diante da companhia de uma pessoa incrível, de um prato impecável, de um
clericot delicioso, e da meia-luz que enfeitava o ambiente de sombras
dançantes, como a menina do Rubem Alves, e porque eu me dei conta que era
feliz, a felicidade vinha de coisas simples, e não podia contê-la em mim. Ela
transbordou dos meus olhos.
Então eu percebi que preciso voltar à
minha essência, dar atenção à minha emoção, à minha intensidade, que é o que me
move e me faz sorrir. Minha alma não está na planilha de metas e produtividade.
Está no sentir o calor do sol na minha pele, no abraço do meu filho, no pulsar
do meu coração perto de quem eu amo, no que faz o meu olho brilhar. E é sobre
isso que volto a escrever a partir de agora. Porque não sou matéria, sou
emoção.
Assinar:
Postagens (Atom)
