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domingo, 24 de fevereiro de 2019

A importância das pausas

Um aprendizado importante dessa viagem à Tailândia foi se dar conta de parar alguns instantes para sentir o momento e os lugares. Às vezes a gente corre tanto querendo conhecer o máximo de lugares que não consegue sentir a vibe do local e perceber os sentimentos que aquela experiência despertou. Eu estava num país cheio de templos budistas, mas foi o período em que menos meditei, porque acordávamos muito cedo para os passeios e corríamos o dia todo sem parar. Eu geralmente medito ao acordar. E senti falta de poder fazer isso. Muitas vezes me peguei pensando que estava correndo demais e não estava aproveitando de fato o momento e o aprendizado. Então sempre que havia alguma pausa, eu tentava me reconectar comigo mesma, e com o universo a minha volta, procurando o sentido de tudo aquilo que estava vivendo e conhecendo. A paz interior depende muito da gente encontrar os espaços para exercitar a nossa calma e respeitar o nosso corpo e o nosso tempo interior. Talvez algumas pessoas possam achar que puxo o freio de mão, pois às vezes quero ficar apenas parada contemplando uma praia ou uma paisagem, ao invés de fazer um novo passeio. Tenho consciência que jamais verei tudo e conhecerei tudo. Assim prefiro apenas demorar-me mais em um local, respeitar meu corpo, que às vezes precisa de um descanso, minha mente, que precisa de um tempo para assimilar tanta informação, a sair feito tsunami varrendo tudo. Ainda assim, em muitos momentos da viagem me senti no meio do tsunami, engolindo tudo pela frente, sem absorver direito. Foram muito importantes os momentos de pausa para de fato curtir aquela realidade e cultura tão diferentes. Isso acontece também no nosso dia a dia. Somos atropeladas pela correria diária e vivemos no piloto automático. Poder parar um momento para fazer um levantamento daquilo que estamos vivendo, listar tudo que deu certo e ser grata, ou, ainda, analisar o que deu errado para pensar o que nós podemos tirar de lição com aquilo e como podemos superar ou crescer, são detalhes que farão toda a diferença na qualidade da nossa vida. A viagem à Tailândia acabou, mas ainda pretendo falar bastante sobre ela, acerca de curiosidades e aprendizados, até porque agora que parei de verdade, estou assimilando melhor tudo que a gente viveu nesse país tão diferente. 







sexta-feira, 29 de junho de 2018

Notas de um Coração Partido

Esse texto eu escrevi há algum tempo, num momento de rompimento. Mas é incrível como ele serve para todas as situações de rompimentos amorosos da vida. Antigos, atuais, futuros. Parece que não tem saída quando a saída é apenas um dia depois do outro. 

Notas sobre um coração partido

Você já teve um coração partido. A dor é física. Falta o ar. As borboletas que vc sentia no estômago viraram morcegos de desconforto. Lágrimas brotam do nada junto com uma lembrança inchando seus olhos e fazendo aquele choro inocente virar desespero.

Você já teve um coração partido. Bate um medo... não, na verdade é um terror de que vc NUNCA mais vai ser feliz de novo. Ninguém vai ser tão perfeito, dizer aquilo que vc gostava de ouvir, tocar do jeito que ele te tocava, ter a textura da pele dele, a boca, as mãos, o cheiro, o carinho, a pegada, todas as descobertas que fizeram no corpo um do outro, as sensações que provocaram, os sabores que provaram. As conversas, as risadas, os planos, as viagens, os jantares, os passeios...

Você já teve um coração partido. A pessoa mais incrível do mundo chega de uma hora para outra e te diz que acabou. Sem conversa, sem muita explicação, sem anestesia. Você quer entender por que ontem os planos era de ficarem juntos pra sempre, curtir a vida a dois, manter no outro o brilho no olho, mas as explicações não vem, ou não tem lógica, são palavras soltas sem sentido, e o sentido por você é que tudo começa a desmoronar dentro de si... planos, sentimentos, você inteira. Vc quer se agarrar na pessoa, mas só tem a si mesma. E nessas horas o choro, as lamentações só fazem o outro sentir pena de você e não adianta nada no resultado final pra alguém que já se decidiu. A pessoa fez uma escolha. Não quer mais ficar com você. Ponto. Os motivos serão apenas tentativas de explicação para algo que não faz sentido, e que você precisaria ouvir para tentar se conformar. Mas a explicação não vem. A pior coisa do mundo é ter uma ruptura na fase da demência da paixão.

Você já teve um coração partido. Você até enxerga que aquela decisão é melhor para vocês dois, pois são muito diferentes, funcionam e reagem muito diferente, blá, blá...tudo bobagem. O que conta mesmo para você é toda a sintonia corporal e de alma que vc sente quando estão juntos. O restante se ajeita, se conversa, se negocia. Adultos fazem isso. Resolvem os problemas. Só que se o outro não está disposto, não quer pagar o preço, fez sua escolha, só lhe resta virar a página.  

Você já teve um coração partido. A vontade é de chamar de cafajeste, desgraçado, mentiroso pular no pescoço dele e fazer amor no tapete da sala, resolvendo tudo. Não, você aguenta, engole o choro, se faz de durona, não é fácil ser jogada fora... Depois vai se acabar chorando...Não importa. Odeia que sintam pena de você.

Você já teve o coração partido. A sensação é de abstinência, como se tivessem tirado uma droga de você. É sofrimento físico mesmo. E estudos dizem que o efeito é mesmo como da falta de drogas por um viciado. A paixão faz a gente ficar viciada no outro. E sente que vai morrer se ficar sem. E você se sente morta mesmo por dentro. Os morcegos vão lhe consumindo.
O remédio, segundo os estudos, seria lembrar dos defeitos da pessoa e da relação, do que não funcionava. Tem defeitos sim, pense bem. Lembre de quão miserável ele fez você se sentir. Além disso, se agarre à meditação. Você perceber que não é os próprios pensamentos, que os pensamentos na pessoa virão e que temos que deixar que venham e vão. Apenas o exercício de identificar esses pensamentos e as reações que eles provocam ajudam você a se conhecer melhor, se observar, e respirar e controlar as emoções. Você é a sua melhor amiga, seu melhor conforto.

Você já teve um coração partido. Então você sabe que tudo que fizer pra esquecer é palitivo. Só o tempo cura. Dê um jeito de (sobre)viver até esse momento. Até o momento que aquele brilho que você tinha ressurja, pela vida, por você mesma, por outra pessoa. E isso vai ocorrer um dia. Essa é a única certeza. Até lá, pode acreditar, vai ser fogo.


domingo, 24 de junho de 2018

Filhos-Pássaro Voam Velozes no Tempo de suas Mães

Você também acha que os filhos crescem rápido demais? Nesse texto eu compartilho as minhas apreensões de mãe.
Filhos-pássaro Voam Velozes pelo Tempo de Suas Mães
Meu filho está crescendo rápido demais. Tem oito anos e já age como pré-adolescente. Não consigo mais abraçá-lo e afofá-lo a hora que eu quero. Tenho meio que agarrá-lo sem avisar, com ele se esquivando, para depois ele limpar meus beijos discretamente com o dorso da mão, e responder um "tá", meio sem graça, aos meus "eu te amo" efusivos. Ganho o dia quando recebo do nada um "eu também". Ele não quer ser mais o bebê da mamãe, quer se afirmar como ser independente com vontades e ideias próprias. Eu acho lindo e, ao mesmo tempo, desesperador, ver que meu bebê está se transformando tão rápido. Ele ainda recorre à mamãe quando está doente, sentindo algum mal-estar, ou na hora de dormir, quando quer ficar na minha cama e dormir agarrado à minha mão. Ali vejo que continua meu bebê e sempre vai ser, mesmo crescendo rápido demais.
Dá saudade dos abraços e beijos espontâneos, dos pedidos de colo, das palavras pronunciadas erradas, das canções inventadas, de assistir o filme Carros 559 vezes, até saber de cor os diálogos, das brincadeiras infantis que o fazia rir das coisas mais sem graça. Porque ser criança é isso, é achar legal o simples, o que para um adulto pareceria bobo, quando na verdade bobos somos nós, por nos tornarmos sérios demais, por preferirmos a amizade virtual e a colecionar likes nas redes sociais, ao invés de brincar com aquele que está querendo atenção na nossa frente. E depois a gente reclama que o filho só quer saber de celular e videogame, quando apenas é o reflexo de nós mesmos.
Confesso que tenho dificuldade de largar o celular e tenho me policiado por mais qualidade de tempo com meu filho. E não tem sido fácil entrar nesse universo dos meninos de hoje de Youtubers, games, Fifa, Pokémons, Dragon Ball, etc, mas estou me esforçando e tento trazê-lo para o meu mundo analógico de leitura de livros infantis, jogos de cartas e tabuleiros, de fazer paródias trocando a letra das músicas, substituindo-a por trechos sem nexo ou engraçados, só para vê-lo rir com aquela risada gostosa e solta de criança, como quando ele era apenas um bebê e gargalhava quando a gente sumia e reaparecia atrás de um pedaço de pano.
E cada vez mais preciso da qualidade desse tempo com ele, pois agora tive que aprender a dividi-lo com o pai, desde que nos separamos ano passado. E vejo meu filho tentando ser maduro, e a fingir que está tudo bem, ao ficar perto de mim na apresentação da escola de música, quando o pai foi assisti-lo levando uma amiga, como se pensasse "preciso apoiar a minha mãe", mesmo eu dizendo que ele podia ir sentar lá com o papai se quisesse. Esse mesmo menino que quer se fazer de forte, às vezes chora sem motivo e não quer contar por quê. Tampouco admite que esteja chorando, já tão pequeno não quer demonstrar sua fraqueza, como os adultos. E quando não consegue esconder, inventa algum outro motivo qualquer, que na visão dele possa justificar o choro, e que eu, que o conheço profundamente, sei que não faz o mínimo sentido, é apenas uma desculpa pra esconder sua tristeza ou insegurança com algo que talvez ele quisesse que fosse diferente. Então eu apenas o abraço e digo que o amo independente de qualquer coisa e sempre estarei ali para o apoiar. Que não é feio se sentir triste de vez enquando, é normal chorar, mesmo ele não querendo admitir a fraqueza. E que está tudo bem. No fundo, meu coração fica apertado e tenho vontade de sentir aquela dor no lugar dele, mas eu sei que tudo isso faz parte do amadurecimento, e, por mais que me doa, preciso deixá-lo crescer. Criamos os filhos para o mundo, dizem que assim deve ser, mas é o amor e apoio que uma mãe e um pai dão, que os faz retornar sempre ao ninho quando adultos, mesmo podendo caminhar por si. Essa reflexão fez-me lembrar de que preciso escrever logo aquela história infantil que ele pediu, tendo um Gabriel participando do enredo, porque o tempo está voando, daqui a pouco ele será adolescente e não vai querer passar esse "mico" de virar um personagem de livro infantil. E eu pareço a louca do avião, chorando enquanto escrevo durante o vôo São Paulo-Porto Alegre, após participar de um evento que me fez ver que meu DNA é composto do que vem da alma, minha sensibilidade é o meu diferencial, e não tenho que me envergonhar disso. Pelo contrário, expor nossa humanidade nos permite conectar com as pessoas, e é sobre isso que daqui para frente vou escrever. Mas só se sobrar tempo depois de aproveitar o restinho de infância do Gabriel.


sexta-feira, 15 de junho de 2018

Sobre as coisas que fazem bem à alma

Eu ando lendo, pensando, escrevendo e falando sobre metas, produtividade, empreendedorismo, marketing digital. Espera um pouco, cadê a minha poesia? Eu sou escritora e tenho que escrever sobre aquilo que toca a alma, que é o que tem graça de escrever, o que eu gosto de ler, o que emociona. Onde foi, então, que me perdi?
Certo, eu sei que, na era da informação, para alguém querer ler o que eu escrevo, é preciso se promover, ser conhecida, e, desde que reativei o blog e meus canais de publicação, facebook, instagram, you tube, tenho deixado o olhar poético em segundo plano e me dedicado a aprender como chegar no meu público, divulgar conteúdo, meu livro infantil, Picolé Lelé, etc, dentre outras questões que não tem a ver com o conteúdo.
Aí eu fui num evento que tinha como tema o enfrentamento do medo, e como ter coragem de ser você mesmo. E eu chorei em vários momentos, quando encontrei poesia na fala, quando encontrei sentimento exposto, quando encontrei humanidades, fraquezas e superações. Eu chorei ouvindo a filha do Rubem Alves falar do pai, falar de coisas da alma, do coração. E chorei ouvindo a moça da plateia contar que o Rubem Alves ia à sua escola, quando ela era criança, e pedia pela menina que dançava, e pedia um abraço, entregava-lhe um livro com dedicatória à menina dos olhos que dançavam, e o resto eu não sei, porque já não conseguia ouvir e entender o final, pois a emoção já tomava conta de todos, e também daquela que narrava o episódio, com voz sumida, pois igualmente engasgada. E eu chorei, do nada, no restaurante, diante da companhia de uma pessoa incrível, de um prato impecável, de um clericot delicioso, e da meia-luz que enfeitava o ambiente de sombras dançantes, como a menina do Rubem Alves, e porque eu me dei conta que era feliz, a felicidade vinha de coisas simples, e não podia contê-la em mim. Ela transbordou dos meus olhos.
Então eu percebi que preciso voltar à minha essência, dar atenção à minha emoção, à minha intensidade, que é o que me move e me faz sorrir. Minha alma não está na planilha de metas e produtividade. Está no sentir o calor do sol na minha pele, no abraço do meu filho, no pulsar do meu coração perto de quem eu amo, no que faz o meu olho brilhar. E é sobre isso que volto a escrever a partir de agora. Porque não sou matéria, sou emoção. 

sábado, 5 de agosto de 2017

Run away!

Run, Forest, run away from complicated people. Essa crônica é demais. Texto completo abaixo e em https://www.google.com.br/amp/am.zerohora.com.br/amp/9842487/quando-eu-estiver-louco-se-afaste
MarthaMedeirosfeelings #aprendizado #reflexão #thinkingabout #blogmorenadepintas

Quando eu estiver louco, se afaste

Há que se respeitar quem sofre de depressão, distimia, bipolaridade e demais transtornos psíquicos que afetam parte da população. Muitos desses pacientes recorrem à ajuda terapêutica e se medicam a fim de minimizar os efeitos desastrosos que respingam em suas relações profissionais e pessoais. Conseguem tornar, assim, mais tranquila a convivência.

Mas tem um grupo que está longe de ser doente: são os que simplesmente se autointitulam "difíceis" com o propósito de facilitar para o lado deles. São os temperamentais que não estão seriamente comprometidos por uma disfunção psíquica — ao menos, não que se saiba, já que não possuem diagnóstico. São morrinhas, apenas. Seja por alguma insegurança trazida da infância, ou por narcisismo crônico, ou ainda por terem herdado um gênio desgraçado, se decretam "difíceis" e quem estiver por perto que se adapte. Que vida mole, não?

Tem uma música bonita do Skank que começa dizendo: "Quando eu estiver triste, simplesmente me abrace/ quando eu estiver louco, subitamente se afaste/ quando eu estiver fogo/ suavemente se encaixe...". A letra é poética, sem dúvida, mas é o melô do folgado. Você é obrigada a reagir conforme o humor da criatura.

Antigamente, quando uma amiga, um namorado ou um parente declarava-se uma pessoa difícil, eu relevava. Ora, estava previamente explicada a razão de o infeliz entornar o caldo, promover discussões, criar briga do nada, encasquetar com besteira. Era alguém difícil, coitado. E teve a gentileza de avisar antes. Como não perdoar?

Já fui muito boazinha, lembro bem.

Hoje em dia, se alguém chegar perto de mim avisando "sou uma pessoa difícil", desejo sorte e desapareço em três segundos. Já gastei minha cota de paciência com esses difíceis que utilizam seu temperamento infantil e autocentrado como álibi para passar por cima dos sentimentos dos outros feito um trator, sem ligar a mínima se estão magoando — e claro que esses "outros" são seus afetos mais íntimos, pois com colegas e conhecidos eles são uns doces, a tal "dificuldade" que lhes caracteriza some como num passe de mágica. Onde foi parar o ogro que estava aqui?

Chega-se a uma etapa da vida em que ser misericordioso cansa. Se a pessoa é difícil, é porque está se levando a sério demais. Será que já não tem idade para controlar seu egocentrismo? Se não controla, é porque não está muito interessada em investir em suas relações. Já que ficam loucos a torto e direito, só nos resta se afastar, mesmo. E investir em pessoas alegres, educadas, divertidas e que não desperdiçam nosso tempo com draminhas repetitivos, dos quais já se conhece o final: sempre sobra para nós, os fáceis.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Aquilo que vai por dentro – reflexões para o que passou e o que virá


Várias pessoas disseram que rejuvenesci e fiquei pensando sobre quais seriam os motivos. Tem a ver com perder sete quilos, mas tem mais a ver com o que eu levo por dentro.
Tenho buscado meu autoconhecimento, tentando sopesar o que realmente importa, mais valores humanos e não materiais, menos consumismo, mais sentimentos. De uns tempos pra cá adotei a meditação, e ela tem ajudado a entender melhor minha mente, o que me faz feliz, e a controlar emoções que me adoecem. Final de ano é tempo de listas e nessa altura, que deve ser mais ou menos a metade da vida (da minha pelo menos), eu quero tirar coisas do rol de metas, desapegar, exercer a simplicidade, adotar um espírito leve, de bem com as pessoas que amo, e curtir pequenos prazeres do tipo dar um abraço de 30 segundos no meu filho, tirar o melhor que posso do meu piano, escutar um rock bem alto e sentir que o bumbo é o seu coração, passear com meu amor, dividir minhas reflexões num texto, curtir os amigos reais. E me perguntarão se eu não leio jornal, se não vejo que o mundo está doido, crise de todos os lados, e eu só penso que sei de tudo isso, o que me dá mais motivos para valorizar as pequenas vitórias e brindar os valores verdadeiros, essas coisas que a gente só para pra pensar no fim do ano e que deveriam ser prioridades. Afinal, só trabalhamos e corremos como doidos para ter qualidade de vida, o que é contraditório, porque o que conseguimos é mais estresse. A gente vai passar e as dores do mundo ficarão.
Eu me dei conta disso dia desses e resolvi focar no que me faz bem. Como você faz isso se o fim de semana só tem dois dias, e temos cinco de trabalho? Porque eu procuro motivos para ser feliz todos os dias, não só no final de semana, não só nas férias, quando dezembro chegar ou esperando pela sexta-feira. E dirão, ah, mas você ama o que faz. É verdade, só que tem mais a ver com isso de buscar enxergar a beleza nos detalhes. Porque se você prestar atenção, meu trabalho[1] é tentar ajudar a resolver as pequenas e grandes desgraças das pessoas, e isso é bem pesado, sugam a tua energia, você vive vários dramas e tensões que não são seus, mas também são seus, porque você pertence a esse grupo que se chama humanidade, e você tem empatia, por mais que não queira se envolver, é a empatia que te faz olhar o outro e compreendê-lo, não pré-julgar, aprender com ele e quem sabe ajudá-lo, mesmo que seu posicionamento seja contrário  de quem recebe sua intervenção, porém tem por objetivo um bem maior, que pode ser a favor de uma criança, uma vítima, a sociedade, enfim. Isso me faz superar as dificuldades e ver sentido naquilo que eu faço, porque não é sobre processos, é sobre pessoas, e isso muda toda a perspectiva da coisa. Se não tem como gostar do seu trabalho, existem seres humanos com quem você trabalha que tornam o fardo mais leve. Ah, eu só trabalho com criaturas problemáticas e complicadas. Será? Talvez o problema esteja em você, que nunca parou para conversar, perguntar sinceramente como o colega está se sentindo, indagar sobre sua vida, seus desejos, suas preferências. Por mais que possamos pensar diferente, fazer o bem é algo que dá sentido para sua vida e ajuda mais a você do que o ajudado. Importar-se sinceramente com seu semelhante acrescenta algo a ambos e você vai descobrir que quem senta na mesa ao seu lado tem sentimentos muito parecidos com os seus, embora seja do partido que você odeia, ou seja daqueles que vivem para reclamar de tudo. Dê uma chance de conhecer o outro, todos temos algo a dar de bom.
            Comecei a fazer reuniões informais com minha equipe, para falarmos não só de trabalho, mas de sentimentos, problemas, da vida. Estamos nos conhecendo e descobrindo qualidades e características que nem imaginávamos, um toca violino, a outra faz kangoo, outro joga tênis, e essas conversas tornam nosso ambiente mais leve, em sintonia, as ideias fluem e as soluções aparecem. Aliás, está aí algo a acrescentar na minha lista de proposições: conversar com alguém diferente a cada dia ou a cada semana.
            Se você me perguntar  qual a minha melhor qualidade, eu diria que é se colocar no lugar do outro, importar-se, envolver-se, ter um olhar compreensivo dirigido ao semelhante e a mim mesma, e, acima de tudo, dar o melhor em tudo que faço. A minha humanidade, que muitas vezes tento asfixiar, por questão de sobrevivência, é o que me forma e move. E desde que resolvi investir no autoconhecimento e nisso de valorizar as pessoas e os laços pessoais, em ser eu sem se importar muito em querer agradar, porque a gente não agrada a todos nem fazendo a coisa certa, que dirá com esse monte de defeitos, tenho impactado positivamente as pessoas na minha volta, elas gostando ou não de mim, mas que acabam me respeitando pelo que eu sou. Você acaba conquistando pela sua espontaneidade, erros e acertos, sentimentos genuínos, alegria em viver e em conviver com os demais. Se a ninguém agradar, se te chamarem de Poliana ou piegas, que a vida é bem mais complicada, ao menos você agradou a si mesmo. A disposição de estar sempre em construção te leva a ser humilde, a encarar as vitórias e fracassos como oportunidades de aprendizado para a sua evolução. O que eu sou e o que eu quero ser só dependem de mim. 
            Ninguém sabe dizer por que rejuvenesci, apenas sentem a vibe. Mas eu sei o que é, é essa coisa que carrego por dentro. 





[1] Como Promotora de Justiça atuando em matéria de família 


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Maria Luiza

Maria Luiza
               ou    O dia em que chorei em uma audiência


A história de Maria Luisa é breve como sua existência. Na inocência de seu um aninho e pouco, com a boca ainda vermelha dos comprimidos de sulfato ferroso que ingerira pensando que fossem balinhas, disse sorrindo para a mamãe “papei tudo”. 
A mãe de Maria Luiza, inexperiente em seus vinte anos, perguntou para a avó da menina se fazia mal que ela tivesse tomado, pelos seus cálculos, quase meio vidro dos comprimidos, e a avó, apavorada, aconselhou que a levasse ao hospital.
Por fim, a mãe-menina levou a filha no posto de saúde mais próximo, para fazer mais rápido.
A enfermeira vestida de branco passou-se por médica aos olhos da incipiente mãe, que sequer questionou quando aquela, sem nem examinar a menina, mandou-a de volta para casa, recomendando que desse suco de gelatina para a criança, que esta apenas teria uma dorzinha de barriga, nada demais.
De fato, a pequena começou a queixar-se de dor de barriga, passada uma hora da ingestão, dor essa que foi aumentando a ponto de fazer a menina se contorcer e chorar muito.
Decidiram levá-la ao pronto socorro da cidade, onde no caminho a menina desmaiou de dor, o que se revelou, ao chegar ao hospital, que, na verdade, entrara em coma. A correria foi grande para tentar salvar Maria Luisa, pois a medicação já tinha sido absorvida pelo organismo. Chegou a ser removida a Porto Alegre, porém não resistiu à gravidade de seu quadro, vindo a falecer no dia seguinte.
A história de Maria Luisa chegou até mim por meio de um processo criminal contra a enfermeira. À dor da mãe juntou-se a minha e quase não consegui fazer as perguntas na audiência pelas lágrimas que me caiam dos olhos e o nó que eu tinha na garganta.
Errou a mãe que não percebeu a filha tomando a medicação, enquanto fazia o almoço. E se poderia julgar uma mãe iniciante, multitarefas no revezamento do cuidado da casa e de uma criança pequena? Mais, poderíamos dizer que errou ao confiar na pessoa de avental branco que a atendeu? Seria correto exigir-lhe que não confiasse?
Errou a enfermeira que não encaminhou o caso com urgência ao médico plantonista, subestimando os efeitos de uma intoxicação por sulfato ferroso. Estaria ela com excesso de trabalho? Queria provar conhecimento? Tentava cobrir o furo da falta de médicos no local ou era conivente com algum médico que não queria atender?
A resposta para essa sucessão de erros é que Maria Luisa pagou com a vida. Com a sua e com um pedaço da de sua mãe, pai, avó, familiares. Até de mim, que nem a conhecia, arrancou-me um naco dolorido, eu que estou acostumada com essas coisas, depois de tantos anos atuando no crime, mas depois que virei mãe, as dores do mundo me pesam demais.
A natureza devia ter permitido sete vida às crianças, como garantia de protegê-las de sua curiosidade e inocência, mas, acima de tudo, dos erros e omissões dos adultos, seus descuidos e falta de atenção pelo excesso de tarefas ou seja lá por que motivo for.
Deus, ou o ser superior em que você acredita, deve ter as suas razões para ter levado esse anjo tão cedo. Se foi para nos ensinar, que façamos todos a lição de casa: tirar os remédios, produtos e utensílios perigosos do alcance das crianças; ainda assim, não pregar o olho delas quando estiverem sob nossos cuidados; pais negligentes, abusadores, que maltratam e colocam os filhos em risco devem ser delatados; se você não é médico, não se meta a receitar ou medicar quando não está preparado para tal, chame quem estudou e tem diploma para isso. Se desconfiou, busque uma segunda opinião. Fiscalize o atendimento prestado nos postos e hospitais, denuncie, exercício ilegal da profissão continua sendo contravenção penal e sujeita a outras sanções administrativas sérias, cabíveis também a médicos pagos com dinheiro público que não trabalham. Algumas atitudes preventivas podem ser a diferença entre preservar uma criança viva ou não.
Maria Luisa, pelo menos para mim e para todos que conhecerem sua história, tenho certeza, não terá sido em vão.


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sábado, 20 de agosto de 2016

Os (meus) Oito Passos Para a Escolha de Uma Escola


Se você é pai ou mãe em algum momento passará pelo suplício de dúvidas que é escolher a escola do seu filho. Esses dias, uma mãe me questionou acerca da escola do Gabriel e lembrei que passei pelo suplício da escolha ano passado, por volta de julho, quando começa a romaria de reserva de vagas e matrículas para o ano seguinte. Respondi todas as questões que sabia e recomendei muito que ela fosse conhecer a escola para sentir o ambiente e questionar sobre a proposta pedagógica. Parece pouco, mas é o que vai movê-lo em direção à uma escola ou outra. No meu caso, eu estava com uma seleção de três estabelecimentos de ensino. Uma com proposta construtivista e duas “conteudistas” ou tradicionais. Foram algumas noites mal dormidas.
Eu fiquei muito impressionada positivamente pela escola construtivista, mas meu marido não se identificou. A metodologia de ensino é toda diferente e é difícil explicar o porquê de não tê-la escolhido sem parecermos burocratas. Características como a de aplicar um ensino mais lúdico, que dá mais liberdade aos alunos e respeita o tempo e a individualidade de cada um, podem atrair os pais ou assustá-los pela quebra de paradigma.
Assim, entendendo que a escola deveria corresponder não só às minhas expectativas, mas a do meu marido e o perfil da criança, restringimos a escolha às duas tradicionais da nossa lista, que tinham propostas pedagógicas bem próximas.
Uma delas se destacava pela estrutura física diferenciada, em meio à natureza. Mas a conversa com outras mães me deixou receosa, pois ficou claro que o diálogo não era o forte daquele estabelecimento de ensino. Embora muitas me contassem que seus filhos adoravam a escola e estavam bem adaptados, apesar de ser bem rigorosa na disciplina e na quantidade de matéria ensinada, foi-me narrada situação em que os pais discordaram do valor cobrado por uma festa de final de ano, e a direção sumariamente cancelou o evento sem conversa.
Outra pessoa referiu que, na sua visão, as reuniões serviam apenas para comunicar os assuntos, pois a docência não ouvia os pais.
Ainda havia relatos de questões relacionadas à competição entre os alunos pela ostentação de itens de maior valor ( Smartphone, Tablets, tênis, mochila, viagens, etc) e estímulo ao consumismo.
Eu precisava de mais informações, pois realmente tinha gostado da escola e era a mais próxima da nossa casa. Então pedi para entrar num grupo de pais no Facebook e observei pelas conversas, que estavam criticando alguns pontos da escola, que precisavam ser melhoradas e tal, o que é salutar no meu ponto de vista e para isso serve um grupo de pais. Lá pelas tantas, uma professora informou que ela e as demais professoras iriam se retirar do grupo porque não coadunavam com aquelas críticas. Fiquei chocada, não se pode fazer críticas. Foi aí que tive certeza que esta escola não servia. 
Falemos da nossa escolha.
Igualmente conversei com muitas mães antes de decidir, todavia o que me fez optar por esta foi o quanto me senti bem lá dentro, por mais que a estrutura física fosse a mais modesta dentre as três. Deu para perceber que as professoras e funcionárias amam o que fazem e são muito acolhedoras aos pais e alunos. Além disso, a proposta pedagógica é bem adequada. Há bastante conteúdo, porém o lado humano é muito valorizado. A escola é pequena, seu filho não é só mais um, ele é conhecido por todos pelo nome e suas características. As crianças têm encontros semanais com a psicóloga para tratar das relações sociais e para ajudá-las lidar com eventuais dificuldades relacionadas à convivência escolar. Considerando que elas passam grande parte do tempo na escola, salutar esse espaço de diálogo sobre as regras de convivência e resolução de conflitos. A administração é muito acessível no trato das preocupações e reinvidicações dos pais, estando sempre disponível para a resolução de problemas, o que é uma tranquilidade para os pais e cria uma relação de confiança. Gabriel está muito bem adaptado no novo colégio, com fortes vínculos de amizade, sendo visível sua evolução. Aos seis anos aprendeu a ler assim que chegou e já consegue ler livros sozinho. A leitura é muito valorizada por lá.
Claro que a sua satisfação depende de o que você imagina de uma escola. Minhas amigas têm as filhas naquela de método construtivista e estão apaixonadas. Mesmo as mães que me contaram os episódios da escola mais rígida seguem com os filhos lá, pois a disciplina e rigor são valores que elas prezam. O que para mim talvez seja visto como não aceitável, para elas é primordial e faz parte do esperado. 
Entendam que não estou criticando esse ou aquele método de ensino. A questão é ter muito presente a sua expectativa em relação ao ensino, o que você deseja para seu filho e aí contam muito até mesmo as suas experiências pessoais com a sua própria escola no passado e a proposta pedagógica vivenciada.
O meu objetivo com esse texto é apenas ajudar, se possível, outros pais nessa decisão tão importante, que vai marcar e moldar para sempre a vida da criança, mostrando alguns aspectos que considerei para tomar minha decisão.
Se eu fosse listar os passos da Angela para a escolha de uma escola, seriam:
1) selecione duas ou três que mais lhe agradam dentro do seu orçamento e localização desejados; 2) marque uma entrevista e visite o estabelecimento de ensino, faça perguntas, tire todas as suas dúvidas; 3) sinta o ambiente e o atendimento prestado pelos que lá trabalham; observe a estrutura física e humana; o andamento da escola; e se possível, como os alunos se relacionam no ambiente, como eles são tratados; como a escola vê os alunos e seus pais 4) conheça a proposta pedagógica e analise se ela está de acordo com o que você idealiza; 5) verifique a grade de matérias e as atividades extracurriculares oferecidas; 6) pesquise o site da escola para verificar as informações oficiais a respeito desta, ao que ela se propõe, etc.; 7) visite páginas e grupos de facebook da escola e dos pais para saber o que pensam, suas angústias e satisfações; 8) converse com outros pais, mas decida por você mesmo, pois como eu disse, o que é bom pra eles pode não ser pra você. 
Talvez você ache que estou hipervalorizando essa escolha, pois sempre é possível trocar de escola. Mas não é melhor fazer uma pesquisa prévia e tentar (digo tentar porque mesmo com esses cuidados não há garantia de acerto) poupar seu filho do estresse de mais uma mudança, troca de ambiente, de amigos e toda uma nova adaptação? Nós gostamos de ter acertado e é muito gratificante ver que meu menino está ótimo, adaptado, feliz, aprendendo. Boa sorte! Se alguma dessas dicas ajudar, já terá valido escrever este texto. 


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Ah, os pais, esses exemplos


Um pai pode influenciar seu filho a fazer qualquer coisa, a gostar de qualquer coisa, para o bem e para o mal. Meu filho tem cinco anos, é do Flamengo, seu pai é do Flamengo, moramos em Porto Alegre, vejam só. Que poder de persuasão têm esses pais! Tão sutil e tão forte. Nas aulas sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, com o Dr. Jorge Trindade, marcou-me a informação de que a falta da figura paterna pode ser a causa, ou uma das causas, para o desajuste social de muitos adolescentes infratores. A figura do pai é o limite; às vezes essa figura pode ser representada por outra pessoa, que não o pai propriamente dito, mas, se ela é falha, dá margem a danos irreversíveis naquela personalidade em formação. Muitos dos nossos problemas sociais são atribuídos à lacuna histórica na educação, mas muito também, digo eu, por falta de pais de verdade. O pai é o modelo, o heroi desse menino que vai crescendo pisando nas pegadas deixadas por aquele que lhe precede. Quer ser grande para imitá-lo nos brinquedos de adulto, porque, conforme dizem por aí, essa seria a diferença, entre os homens e os meninos. E falo não em tom de crítica ou menosprezo, mas com admiração àqueles que conseguem manter viva a criança dentro de si.
Enquanto isso, meu filho sonha com o dia em que vai ter oito anos para tocar guitarra, com os treze para ter uma banda de rock, com a adolescência para jogar jogos de guerra no videogame, com o dia em que será adulto e poderá dirigir um carro ouvindo a música “It's my life” bem alta, esta última dita por ele hoje. Não o vejo desejando fazer as coisas que a mamãe faz ou gosta, que, sem preconceito algum, não tem a ver com questão de gênero, mas com o paradigma eleito, não dirigido à mim. Até porque eu torço para o Inter, toco piano, gosto de ler, pratico esportes, tenho hábitos saudáveis, coisas que considero bem legais para um filho imitar. Não adianta, a disputa é inglória, a derrota, por goleada. Mãe é colo, consolo, afago, porto seguro. Conforma-se em não ser espelho, basta-lhe ser beijo e abraço, ter o filho por perto, vê-lo bem, dar-lhe amor.
Assim eu desejo, no mais íntimo, na minha lista de pequenas utopias, que os pais sejam carinhosos com suas esposas, gentis com quem lhes presta serviço, do porteiro ao presidente da empresa; honestos acima de tudo, mesmo que pareça bobagem ou sejam taxados de otários; humildes para reconhecer o erro e desculpar-se; tolerantes com o ser humano, seja na igualdade ou na diferença; exerçam de modo consciente o papel fundamental na formação do caráter daqueles que tem a chance de mudar esse país. 

(Texto em homenagem a Gustavo Barreto que é um pai exemplo para Gabriel)


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Diário de Bordo I -

Uma palavra ao lado da outra assim vou tentar ir contando minhas percepções e reflexões de férias em Aracaju. Não esperem muito rigor literário.
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A gente pode reclamar de várias coisas de Porto Alegre, mas não do cenário cultural. Enquanto estou em Aracaju, me dei conta que vou perder vários eventos legais, que iria certo, se estivesse na terrinha: show do Chris Cornell (vocalista do Audioslave); Seu Jorge; Encontro do grupo literário da AMPRS que irá discutir O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde; Lançamento do Livro do Rodrigo Rosp; lançamento do livro Ithaca Road, de Paulo Scott, na Palavraria, como parte do Projeto Amores Expressos; show do grupo infantil Palavra Cantada, que levaria Gabriel.
Por aqui, a única notícia cultural que tenho é da Festa de São João, com uma série de grupos de forró e arroxa se apresentando. Uau, que emoção assistir o show do "CalcinhaPreta" (suba a placa com o dizer "ironia"). Em compensação, seremos testemunhas de uma verdadeira festa de São João, não aquelas fajutas que tentamos reproduzir nas escolas.
Entrei na Livraria Sineriz e perguntei se já receberam o lançamento do livro O Retrato de Dorian Gray comentado por Nicholas Frankel. A menina me olhou como se eu fosse um ÉT (isso mesmo, porque aqui a letra Ê fala É). Ainda tenho esperança de encontrar na Saraiva, mas se for como a de Porto Alegre... ( ou será que posso sonhar em encontrar uma Palavraria fora do circuito shopping por aqui?)
Bueno, pelo menos tem várias salas de cinemas com os últimos lançamentos. Os blockbusters estão garantidos.
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A globalização existe, pelo menos nos shoppings. Assim como aipim, macaxeira e mandioca é tudo a mesma coisa, os shoppings são todos iguais. Muitas lojas, mas muitas mesmo, são as mesmas de Porto Alegre e, certamente, de vários outros shoppings Brasil afora. Por conta disso, entrei na Renner e comprei as meias do Ben 10 que tinha prometido a Gabriel e que não tive tempo de comprar em Porto Alegre.
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Assisti O Grande Gatsby no cinema, baseado no livro de Scott Fitzgerald. O filme é acima de tudo uma história de amor. O figurino da época, Nova Iorque de 1922, está lindo e muito bem representado. O filme retrata a sociedade dos novos ricos que buscam ser aceitos em meio aos bem-nascidos. Dentre eles está o misterioso Sr. Jay Gatsby, apaixonado por uma mulher casada, e que planeja sua vida para (re)conquistá-la. Assistam. Fiquei muito curiosa para ler o livro.
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Curioso esse mundo tecnológico em que  leio o jornal Zero Hora no tablet em qualquer lugar. Vou tentar participar do encontro do meu grupo literário via Skype. Depois eu conto como foi. 
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