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sábado, 14 de janeiro de 2017
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
A pequena vitória de cada dia
Recebi um e-mail de um rapaz, escritor independente, perguntando qual o procedimento para que eu resenhasse o livro que ele estava lançando e divulgasse no blog.
Achei legal o interesse dele, pois mostra o prestígio e importância do que escrevo, mas expliquei que eu não fazia resenhas por remuneração, mas por gosto, dos livros que leio. E no momento estava dedicando todo o meu tempo disponível para os posts do blog, porém, se acaso viesse a ler seu livro, faria uma resenha com uma análise sincera sobre o conteúdo.
Vejam, não é uma questão de ser arrogante, de indiretamente dizer “não tenho intenção de ler o seu livro”, mas de foco. O meu dia continua tendo apenas 24 horas e se não der prioridade ao que é mais relevante e que me propus a fazer, não vou conseguir produzir textos e conteúdo de qualidade para vocês. Às vezes é importante dizer não para os outros para dizer sim a você mesmo, dá para entender? Por exemplo, nesse momento eu não estou produzindo tanto como eu gostaria porque estou tentando aprender sobre marketing digital para conseguir divulgar meu material a um maior número de pessoas. Estou aprendendo a produzir vídeos, editar, criar design, etc, e com isso entregar conteúdo com mais qualidade, dentro do meu propósito. Não dá para abraçar o mundo. Percebem?
Tudo isso para dizer que o que produzo aqui é sem pretensão alguma de lucro, senão de entreter, fazer refletir, informar, motivar, produzir emoções. Quero agregar valor, trazer algo que possa ter relevância pra a vida das pessoas. Não é escrever por escrever. Por isso cada novo leitor ou leitora que passa a seguir a página ou o blog é comemorado como uma pequena vitória, um passo a mais rumo ao objetivo de fazer com que esse conteúdo chegue ao maior número de pessoas. É o que me move a continuar escrevendo.
Procuro comemorar cada pequena conquista e, assim, ir acumulando uma a uma. Valorizar as pequenas recompensas do caminho me fazem continuar andando. Olho pra trás e analiso tudo que trilhei para chegar onde estou e ter em mente o ponto que pretendo alcançar. Autoajuda? Não, digo que é inteligência intrapessoal, busca de autoconhecimento. Pretendo falar sobre isso em outro texto. Por ora, minha gratidão por cada um que lê e acompanha o blog.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Entrevista com Antonio Cândido
Divido com vocês a entrevista do Antonio Cândido que minha colega de oficina literária, a Luiza, enviou. Gostei muito e então, mesmo sendo um pouco extensa, resolvi dividir com vocês. Boa leitura!
Antonio Candido: “O socialismo é uma doutrina triunfante”
Aos 93 anos, Antonio Candido explica a sua concepção de socialismo, fala sobre literatura e revela não se interessar por novas obras
por Joana Tavares, no Brasil de Fato, sugestão do Igor Felippe
Crítico literário, professor, sociólogo, militante. Um adjetivo sozinho não consegue definir a importância de Antonio Candido para o Brasil. Considerado um dos principais intelectuais do país, ele mantém a postura socialista, a cordialidade, a elegância, o senso de humor, o otimismo. Antes de começar nossa entrevista, ele diz que viveu praticamente todo o conturbado século 20. E participou ativamente dele, escrevendo, debatendo, indo a manifestações, ajudando a dar lucidez, clareza e humanidade a toda uma geração de alunos, militantes sociais, leitores e escritores.
Tão bom de prosa como de escrita, ele fala sobre seu método de análise literária, dos livros de que gosta, da sua infância, do começo da sua militância, da televisão, do MST, da sua crença profunda no socialismo como uma doutrina triunfante. “O que se pensa que é a face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele”, afirma.
Brasil de Fato – Nos seus textos é perceptível a intenção de ser entendido. Apesar de muito erudito, sua escrita é simples. Por que esse esforço de ser sempre claro?
Antonio Candido – Acho que a clareza é um respeito pelo próximo, um respeito pelo leitor. Sempre achei, eu e alguns colegas, que, quando se trata de ciências humanas, apesar de serem chamadas de ciências, são ligadas à nossa humanidade, de maneira que não deve haver jargão científico. Posso dizer o que tenho para dizer nas humanidades com a linguagem comum. Já no estudo das ciências humanas eu preconizava isso. Qualquer atividade que não seja estritamente técnica, acho que a clareza é necessária inclusive para pode divulgar a mensagem, a mensagem deixar de ser um privilégio e se tornar um bem comum.
O seu método de análise da literatura parte da cultura para a realidade social e volta para a cultura e para o texto. Como o senhor explicaria esse método?
Uma coisa que sempre me preocupou muito é que os teóricos da literatura dizem: é preciso fazer isso, mas não fazem. Tenho muita influência marxista – não me considero marxista – mas tenho muita influência marxista na minha formação e também muita influência da chamada escola sociológica francesa, que geralmente era formada por socialistas. Parti do seguinte princípio: quero aproveitar meu conhecimento sociológico para ver como isso poderia contribuir para conhecer o íntimo de uma obra literária. No começo eu era um pouco sectário, politizava um pouco demais minha atividade. Depois entrei em contato com um movimento literário norte-americano, a nova crítica, conhecido como new criticism. E aí foi um ovo de colombo: a obra de arte pode depender do que for, da personalidade do autor, da classe social dele, da situação econômica, do momento histórico, mas quando ela é realizada, ela é ela. Ela tem sua própria individualidade. Então a primeira coisa que é preciso fazer é estudar a própria obra. Isso ficou na minha cabeça. Mas eu também não queria abrir mão, dada a minha formação, do social. Importante então é o seguinte: reconhecer que a obra é autônoma, mas que foi formada por coisas que vieram de fora dela, por influências da sociedade, da ideologia do tempo, do autor. Não é dizer: a sociedade é assim, portanto a obra é assim. O importante é: quais são os elementos da realidade social que se transformaram em estrutura estética. Me dediquei muito a isso, tenho um livro chamado “Literatura e sociedade” que analisa isso. Fiz um esforço grande para respeitar a realidade estética da obra e sua ligação com a realidade. Há certas obras em que não faz sentido pesquisar o vínculo social porque ela é pura estrutura verbal. Há outras em que o social é tão presente – como “O cortiço” [de Aluísio Azevedo] – que é impossível analisar a obra sem a carga social. Depois de mais maduro minha conclusão foi muito óbvia: o crítico tem que proceder conforme a natureza de cada obra que ele analisa. Há obras que pedem um método psicológico, eu uso; outras pedem estudo do vocabulário, a classe social do autor; uso. Talvez eu seja aquilo que os marxistas xingam muito que é ser eclético. Talvez eu seja um pouco eclético, confesso. Isso me permite tratar de um número muito variado de obras.
Teria um tipo de abordagem estética que seria melhor?
Não privilegio. Já privilegiei. Primeiro o social, cheguei a privilegiar mesmo o político. Quando eu era um jovem crítico eu queria que meus artigos demonstrassem que era um socialista escrevendo com posição crítica frente à sociedade. Depois vi que havia poemas, por exemplo, em que não podia fazer isso. Então passei a outra fase em que passei a priorizar a autonomia da obra, os valores estéticos. Depois vi que depende da obra. Mas tenho muito interesse pelo estudo das obras que permitem uma abordagem ao mesmo tempo interna e externa. A minha fórmula é a seguinte: estou interessado em saber como o externo se transformou em interno, como aquilo que é carne de vaca vira croquete. O croquete não é vaca, mas sem a vaca o croquete não existe. Mas o croquete não tem nada a ver com a vaca, só a carne. Mas o externo se transformou em algo que é interno. Aí tenho que estudar o croquete, dizer de onde ele veio.
O que é mais importante ler na literatura brasileira?
Machado de Assis. Ele é um escritor completo.
É o que senhor mais gosta?
Não, mas acho que é o que mais se aproveita.
E de qual o senhor mais gosta?
Gosto muito do Eça de Queiroz, muitos estrangeiros. De brasileiros, gosto muito de Graciliano Ramos… Acho que já li “São Bernardo” umas 20 vezes, com mentira e tudo. Leio o Graciliano muito, sempre. Mas Machado de Assis é um autor extraordinário. Comecei a ler com 9 anos livros de adulto. E ninguém sabia quem era Machado de Assis, só o Brasil e, mesmo assim, nem todo mundo. Mas hoje ele está ficando um autor universal. Ele tinha a prova do grande escritor. Quando se escreve um livro, ele é traduzido, e uma crítica fala que a tradução estragou a obra, é porque não era uma grande obra. Machado de Assis, mesmo mal traduzido, continua grande. A prova de um bom escritor é que mesmo mal traduzido ele é grande. Se dizem: “a tradução matou a obra”, então a obra era boa, mas não era grande.
Como levar a grande literatura para quem não está habituado com a leitura?
É perfeitamente possível, sobretudo Machado de Assis. A Maria Vitória Benevides me contou de uma pesquisa que foi feita na Itália há uns 30 anos. Aqueles magnatas italianos, com uma visão já avançada do capitalismo, decidiram diminuir as horas de trabalho para que os trabalhadores pudessem ter cursos, se dedicar à cultura. Então perguntaram: cursos de que vocês querem? Pensaram que iam pedir cursos técnicos, e eles pediram curso de italiano para poder ler bem os clássicos. “A divina comédia” é um livro com 100 cantos, cada canto com dezenas de estrofes. Na Itália, não sou capaz de repetir direito, mas algo como 200 mil pessoas sabem a primeira parte inteira, 50 mil sabem a segunda, e de 3 a 4 mil pessoas sabem o livro inteiro de cor. Quer dizer, o povo tem direito à literatura e entende a literatura. O doutor Agostinho da Silva, um escritor português anarquista que ficou muito tempo no Brasil, explicava para os operários os diálogos de Platão, e eles adoravam. Tem que saber explicar, usar a linguagem normal.
O senhor acha que o brasileiro gosta de ler?
Não sei. O Brasil pra mim é um mistério. Tem editora para toda parte, tem livro para todo lado. Vi uma reportagem que dizia que a cidade de Buenos Aires tem mais livrarias que em todo o Brasil. Lê-se muito pouco no Brasil. Parece que o povo que lê mais é o finlandês, que lê 30 volumes por ano. Agora dizem que o livro vai acabar, né?
O senhor acha que vai?
Não sei. Eu não tenho nem computador… as pessoas me perguntam: qual é o seu… como chama?
E-mail?
Isso! Olha, eu parei no telefone e máquina de escrever. Não entendo dessas coisas… Estou afastado de todas as novidades há cerca de 30 anos. Não me interesso por literatura atual. Sou um velho caturra. Já doei quase toda minha biblioteca, 14 ou 15 mil volumes. O que tem aqui é livro para visita ver. Mas pretendo dar tudo. Não vendo livro, eu dou. Sempre fiz escola pública, inclusive universidade pública, então é o que posso dar para devolver um pouco. Tenho impressão que a literatura brasileira está fraca, mas isso todo velho acha. Meus antigos alunos que me visitam muito dizem que está fraca no Brasil, na Inglaterra, na França, na Rússia, nos Estados Unidos… que a literatura está por baixo hoje em dia. Mas eu não me interesso por novidades.
E o que o senhor lê hoje em dia?
Eu releio. História, um pouco de política… mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno.
O senhor é socialista?
Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.
Por quê?
Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.
O socialismo como luta dos trabalhadores?
O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.
Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?
Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.
O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?
O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo. Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social. Não a Rússia, a China, o Camboja. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para o que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo. No tempo que meu irmão Roberto – que era católico de esquerda – começou a trabalhar, eu era moço, ele era tido como comunista, por dizer que no Brasil tinha miséria. Dizer isso era ser comunista, não estou falando em metáforas. Hoje, a Federação das Indústrias, Paulo Maluf, eles dizem que a miséria é intolerável. O socialismo está andando… não com o nome, mas aquilo que o socialismo quer, a igualdade, está andando. Não aquela igualdade que alguns socialistas e os anarquistas pregavam, igualdade absoluta é impossível. Os homens são muito diferentes, há uma certa justiça em remunerar mais aquele que serve mais à comunidade. Mas a desigualdade tem que ser mínima, não máxima. Sou muito otimista. (pausa).
O Brasil é um país pobre, mas há uma certa tendência igualitária no brasileiro – apesar da escravidão – e isso é bom. Tive uma sorte muito grande, fui criado numa cidade pequena, em Minas Gerais, não tinha nem 5 mil habitantes quando eu morava lá. Numa cidade assim, todo mundo é parente. Meu bisavô era proprietário de terras, mas a terra foi sendo dividida entre os filhos… então na minha cidade o barbeiro era meu parente, o chofer de praça era meu parente, até uma prostituta, que foi uma moça deflorada expulsa de casa, era minha prima. Então me acostumei a ser igual a todo mundo. Fui criado com os antigos escravos do meu avô. Quando eu tinha 10 anos de idade, toda pessoa com mais de 40 anos tinha sido escrava. Conheci inclusive uma escrava, tia Vitória, que liderou uma rebelião contra o senhor. Não tenho senso de desigualdade social. Digo sempre, tenho temperamento conservador. Tenho temperamento conservador, atitudes liberais e ideias socialistas. Minha grande sorte foi não ter nascido em família nem importante nem rica, senão ia ser um reacionário. (risos).
A Teresina, que inspirou um livro com seu nome, o senhor conheceu depois?
Conheci em Poços de Caldas… essa era uma mulher extraordinária, uma anarquista, maior amiga da minha mãe. Tenho um livrinho sobre ela. Uma mulher formidável. Mas eu me politizei muito tarde, com 23, 24 anos de idade com o Paulo Emílio. Ele dizia: “é melhor ser fascista do que não ter ideologia”. Ele que me levou para a militância. Ele dizia com razão: cada geração tem o seu dever. O nosso dever era político.
E o dever da atual geração?
Ter saudade. Vocês pegaram um rabo de foguete danado.
No seu livro “Os parceiros do Rio Bonito” o senhor diz que é importante defender a reforma agrária não apenas por motivos econômicos, mas culturalmente. O que o senhor acha disso hoje?
Isso é uma coisa muito bonita do MST. No movimento das Ligas Camponesas não havia essa preocupação cultural, era mais econômica. Acho bonito isso que o MST faz: formar em curso superior quem trabalha na enxada. Essa preocupação cultural do MST já é um avanço extraordinário no caminho do socialismo. É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação, notícia… Minha tese de doutorado em ciências sociais foi sobre o camponês pobre de São Paulo – aquele que precisa arrendar terra, o parceiro. Em 1948, estava fazendo minha pesquisa num bairro rural de Bofete e tinha um informante muito bom, Nhô Samuel Antônio de Camargos. Ele dizia que tinha mais de 90 anos, mas não sabia quantos. Um dia ele me perguntou: “ô seu Antonio, o imperador vai indo bem? Não é mais aquele de barba branca, né?”. Eu disse pra ele: “não, agora é outro chamado Eurico Gaspar Dutra”. Quer dizer, ele está fora da cultura, para ele o imperador existe. Ele não sabe ler, não sabe escrever, não lê jornal. A humanização moderna depende da comunicação em grande parte. No dia em que o trabalhador tem o rádio em casa ele é outra pessoa. O problema é que os meios modernos de comunicação são muito venenosos. A televisão é uma praga. Eu adoro, hein? Moro sozinho, sozinho, sou viúvo e assisto televisão. Mas é uma praga. A coisa mais pérfida do capitalismo – por causa da necessidade cumulativa irreversível – é a sociedade de consumo. Marx não conheceu, não sei como ele veria. A televisão faz um inculcamento sublimar de dez em dez minutos, na cabeça de todos – na sua, na minha, do Sílvio Santos, do dono do Bradesco, do pobre diabo que não tem o que comer – imagens de whisky, automóvel, casa, roupa, viagem à Europa – cria necessidades. E claro que não dá condições para concretizá-las.
A sociedade de consumo está criando necessidades artificiais e está levando os que não têm ao desespero, à droga, miséria… Esse desejo da coisa nova é uma coisa poderosa. O capitalismo descobriu isso graças ao Henry Ford. O Ford tirou o automóvel da granfinagem e fez carro popular, vendia a 500 dólares. Estados Unidos inteiro começou a comprar automóvel, e o Ford foi ficando milionário. De repente o carro não vendia mais. Ele ficou desesperado, chamou os economistas, que estudaram e disseram: “mas é claro que não vende, o carro não acaba”. O produto industrial não pode ser eterno. O produto artesanal é feito para durar, mas o industrial não, ele tem que ser feito para acabar, essa é coisa mais diabólica do capitalismo. E o Ford entendeu isso, passou a mudar o modelo do carro a cada ano. Em um regime que fosse mais socialista seria preciso encontrar uma maneira de não falir as empresas, mas tornar os produtos duráveis, acabar com essa loucura da renovação. Hoje um automóvel é feito para acabar, a moda é feita para mudar. Essa ideia tem como miragem o lucro infinito. Enquanto a verdadeira miragem não é a do lucro infinito, é do bem-estar infinito.
QUEM É
Antonio Candido de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, concluiu seus estudos secundários em Poços de Caldas (MG) e ingressou na recém-fundada Universidade de São Paulo em 1937, no curso de Ciências Sociais. Com os amigos Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e outros fundou a revista Clima. Com Gilda de Mello e Souza, colega de revista e do intenso ambiente de debates sobre a cultura, foi casado por 60 anos. Defendeu sua tese de doutorado, publicada depois como o livro “Os Parceiros do Rio Bonito”, em 1954. De 1958 a 1960 foi professor de literatura na Faculdade de Filosofia de Assis. Em 1961, passou a dar aulas de teoria literária e literatura comparada na USP, onde foi professor e orientou trabalhos até se aposentar, em 1992. Na década de 1940, militou no Partido Socialista Brasileiro, fazendo oposição à ditadura Vargas. Em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Colaborou nos jornais Folha da Manhã e Diário de São Paulo, resenhando as primeiras obras literárias. É autor de inúmeros livros, atualmente reeditados pela editora Ouro sobre Azul, coordenada por sua filha, Ana Luisa Escorel.
Publicado originalmente na edição 435 do Brasil de Fato.
Antonio Candido: “O socialismo é uma doutrina triunfante”
Aos 93 anos, Antonio Candido explica a sua concepção de socialismo, fala sobre literatura e revela não se interessar por novas obras
por Joana Tavares, no Brasil de Fato, sugestão do Igor Felippe
Crítico literário, professor, sociólogo, militante. Um adjetivo sozinho não consegue definir a importância de Antonio Candido para o Brasil. Considerado um dos principais intelectuais do país, ele mantém a postura socialista, a cordialidade, a elegância, o senso de humor, o otimismo. Antes de começar nossa entrevista, ele diz que viveu praticamente todo o conturbado século 20. E participou ativamente dele, escrevendo, debatendo, indo a manifestações, ajudando a dar lucidez, clareza e humanidade a toda uma geração de alunos, militantes sociais, leitores e escritores.
Tão bom de prosa como de escrita, ele fala sobre seu método de análise literária, dos livros de que gosta, da sua infância, do começo da sua militância, da televisão, do MST, da sua crença profunda no socialismo como uma doutrina triunfante. “O que se pensa que é a face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele”, afirma.
Brasil de Fato – Nos seus textos é perceptível a intenção de ser entendido. Apesar de muito erudito, sua escrita é simples. Por que esse esforço de ser sempre claro?
Antonio Candido – Acho que a clareza é um respeito pelo próximo, um respeito pelo leitor. Sempre achei, eu e alguns colegas, que, quando se trata de ciências humanas, apesar de serem chamadas de ciências, são ligadas à nossa humanidade, de maneira que não deve haver jargão científico. Posso dizer o que tenho para dizer nas humanidades com a linguagem comum. Já no estudo das ciências humanas eu preconizava isso. Qualquer atividade que não seja estritamente técnica, acho que a clareza é necessária inclusive para pode divulgar a mensagem, a mensagem deixar de ser um privilégio e se tornar um bem comum.
O seu método de análise da literatura parte da cultura para a realidade social e volta para a cultura e para o texto. Como o senhor explicaria esse método?
Uma coisa que sempre me preocupou muito é que os teóricos da literatura dizem: é preciso fazer isso, mas não fazem. Tenho muita influência marxista – não me considero marxista – mas tenho muita influência marxista na minha formação e também muita influência da chamada escola sociológica francesa, que geralmente era formada por socialistas. Parti do seguinte princípio: quero aproveitar meu conhecimento sociológico para ver como isso poderia contribuir para conhecer o íntimo de uma obra literária. No começo eu era um pouco sectário, politizava um pouco demais minha atividade. Depois entrei em contato com um movimento literário norte-americano, a nova crítica, conhecido como new criticism. E aí foi um ovo de colombo: a obra de arte pode depender do que for, da personalidade do autor, da classe social dele, da situação econômica, do momento histórico, mas quando ela é realizada, ela é ela. Ela tem sua própria individualidade. Então a primeira coisa que é preciso fazer é estudar a própria obra. Isso ficou na minha cabeça. Mas eu também não queria abrir mão, dada a minha formação, do social. Importante então é o seguinte: reconhecer que a obra é autônoma, mas que foi formada por coisas que vieram de fora dela, por influências da sociedade, da ideologia do tempo, do autor. Não é dizer: a sociedade é assim, portanto a obra é assim. O importante é: quais são os elementos da realidade social que se transformaram em estrutura estética. Me dediquei muito a isso, tenho um livro chamado “Literatura e sociedade” que analisa isso. Fiz um esforço grande para respeitar a realidade estética da obra e sua ligação com a realidade. Há certas obras em que não faz sentido pesquisar o vínculo social porque ela é pura estrutura verbal. Há outras em que o social é tão presente – como “O cortiço” [de Aluísio Azevedo] – que é impossível analisar a obra sem a carga social. Depois de mais maduro minha conclusão foi muito óbvia: o crítico tem que proceder conforme a natureza de cada obra que ele analisa. Há obras que pedem um método psicológico, eu uso; outras pedem estudo do vocabulário, a classe social do autor; uso. Talvez eu seja aquilo que os marxistas xingam muito que é ser eclético. Talvez eu seja um pouco eclético, confesso. Isso me permite tratar de um número muito variado de obras.
Teria um tipo de abordagem estética que seria melhor?
Não privilegio. Já privilegiei. Primeiro o social, cheguei a privilegiar mesmo o político. Quando eu era um jovem crítico eu queria que meus artigos demonstrassem que era um socialista escrevendo com posição crítica frente à sociedade. Depois vi que havia poemas, por exemplo, em que não podia fazer isso. Então passei a outra fase em que passei a priorizar a autonomia da obra, os valores estéticos. Depois vi que depende da obra. Mas tenho muito interesse pelo estudo das obras que permitem uma abordagem ao mesmo tempo interna e externa. A minha fórmula é a seguinte: estou interessado em saber como o externo se transformou em interno, como aquilo que é carne de vaca vira croquete. O croquete não é vaca, mas sem a vaca o croquete não existe. Mas o croquete não tem nada a ver com a vaca, só a carne. Mas o externo se transformou em algo que é interno. Aí tenho que estudar o croquete, dizer de onde ele veio.
O que é mais importante ler na literatura brasileira?
Machado de Assis. Ele é um escritor completo.
É o que senhor mais gosta?
Não, mas acho que é o que mais se aproveita.
E de qual o senhor mais gosta?
Gosto muito do Eça de Queiroz, muitos estrangeiros. De brasileiros, gosto muito de Graciliano Ramos… Acho que já li “São Bernardo” umas 20 vezes, com mentira e tudo. Leio o Graciliano muito, sempre. Mas Machado de Assis é um autor extraordinário. Comecei a ler com 9 anos livros de adulto. E ninguém sabia quem era Machado de Assis, só o Brasil e, mesmo assim, nem todo mundo. Mas hoje ele está ficando um autor universal. Ele tinha a prova do grande escritor. Quando se escreve um livro, ele é traduzido, e uma crítica fala que a tradução estragou a obra, é porque não era uma grande obra. Machado de Assis, mesmo mal traduzido, continua grande. A prova de um bom escritor é que mesmo mal traduzido ele é grande. Se dizem: “a tradução matou a obra”, então a obra era boa, mas não era grande.
Como levar a grande literatura para quem não está habituado com a leitura?
É perfeitamente possível, sobretudo Machado de Assis. A Maria Vitória Benevides me contou de uma pesquisa que foi feita na Itália há uns 30 anos. Aqueles magnatas italianos, com uma visão já avançada do capitalismo, decidiram diminuir as horas de trabalho para que os trabalhadores pudessem ter cursos, se dedicar à cultura. Então perguntaram: cursos de que vocês querem? Pensaram que iam pedir cursos técnicos, e eles pediram curso de italiano para poder ler bem os clássicos. “A divina comédia” é um livro com 100 cantos, cada canto com dezenas de estrofes. Na Itália, não sou capaz de repetir direito, mas algo como 200 mil pessoas sabem a primeira parte inteira, 50 mil sabem a segunda, e de 3 a 4 mil pessoas sabem o livro inteiro de cor. Quer dizer, o povo tem direito à literatura e entende a literatura. O doutor Agostinho da Silva, um escritor português anarquista que ficou muito tempo no Brasil, explicava para os operários os diálogos de Platão, e eles adoravam. Tem que saber explicar, usar a linguagem normal.
O senhor acha que o brasileiro gosta de ler?
Não sei. O Brasil pra mim é um mistério. Tem editora para toda parte, tem livro para todo lado. Vi uma reportagem que dizia que a cidade de Buenos Aires tem mais livrarias que em todo o Brasil. Lê-se muito pouco no Brasil. Parece que o povo que lê mais é o finlandês, que lê 30 volumes por ano. Agora dizem que o livro vai acabar, né?
O senhor acha que vai?
Não sei. Eu não tenho nem computador… as pessoas me perguntam: qual é o seu… como chama?
E-mail?
Isso! Olha, eu parei no telefone e máquina de escrever. Não entendo dessas coisas… Estou afastado de todas as novidades há cerca de 30 anos. Não me interesso por literatura atual. Sou um velho caturra. Já doei quase toda minha biblioteca, 14 ou 15 mil volumes. O que tem aqui é livro para visita ver. Mas pretendo dar tudo. Não vendo livro, eu dou. Sempre fiz escola pública, inclusive universidade pública, então é o que posso dar para devolver um pouco. Tenho impressão que a literatura brasileira está fraca, mas isso todo velho acha. Meus antigos alunos que me visitam muito dizem que está fraca no Brasil, na Inglaterra, na França, na Rússia, nos Estados Unidos… que a literatura está por baixo hoje em dia. Mas eu não me interesso por novidades.
E o que o senhor lê hoje em dia?
Eu releio. História, um pouco de política… mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno.
O senhor é socialista?
Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.
Por quê?
Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.
O socialismo como luta dos trabalhadores?
O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.
Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?
Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.
O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?
O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo. Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social. Não a Rússia, a China, o Camboja. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para o que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo. No tempo que meu irmão Roberto – que era católico de esquerda – começou a trabalhar, eu era moço, ele era tido como comunista, por dizer que no Brasil tinha miséria. Dizer isso era ser comunista, não estou falando em metáforas. Hoje, a Federação das Indústrias, Paulo Maluf, eles dizem que a miséria é intolerável. O socialismo está andando… não com o nome, mas aquilo que o socialismo quer, a igualdade, está andando. Não aquela igualdade que alguns socialistas e os anarquistas pregavam, igualdade absoluta é impossível. Os homens são muito diferentes, há uma certa justiça em remunerar mais aquele que serve mais à comunidade. Mas a desigualdade tem que ser mínima, não máxima. Sou muito otimista. (pausa).
O Brasil é um país pobre, mas há uma certa tendência igualitária no brasileiro – apesar da escravidão – e isso é bom. Tive uma sorte muito grande, fui criado numa cidade pequena, em Minas Gerais, não tinha nem 5 mil habitantes quando eu morava lá. Numa cidade assim, todo mundo é parente. Meu bisavô era proprietário de terras, mas a terra foi sendo dividida entre os filhos… então na minha cidade o barbeiro era meu parente, o chofer de praça era meu parente, até uma prostituta, que foi uma moça deflorada expulsa de casa, era minha prima. Então me acostumei a ser igual a todo mundo. Fui criado com os antigos escravos do meu avô. Quando eu tinha 10 anos de idade, toda pessoa com mais de 40 anos tinha sido escrava. Conheci inclusive uma escrava, tia Vitória, que liderou uma rebelião contra o senhor. Não tenho senso de desigualdade social. Digo sempre, tenho temperamento conservador. Tenho temperamento conservador, atitudes liberais e ideias socialistas. Minha grande sorte foi não ter nascido em família nem importante nem rica, senão ia ser um reacionário. (risos).
A Teresina, que inspirou um livro com seu nome, o senhor conheceu depois?
Conheci em Poços de Caldas… essa era uma mulher extraordinária, uma anarquista, maior amiga da minha mãe. Tenho um livrinho sobre ela. Uma mulher formidável. Mas eu me politizei muito tarde, com 23, 24 anos de idade com o Paulo Emílio. Ele dizia: “é melhor ser fascista do que não ter ideologia”. Ele que me levou para a militância. Ele dizia com razão: cada geração tem o seu dever. O nosso dever era político.
E o dever da atual geração?
Ter saudade. Vocês pegaram um rabo de foguete danado.
No seu livro “Os parceiros do Rio Bonito” o senhor diz que é importante defender a reforma agrária não apenas por motivos econômicos, mas culturalmente. O que o senhor acha disso hoje?
Isso é uma coisa muito bonita do MST. No movimento das Ligas Camponesas não havia essa preocupação cultural, era mais econômica. Acho bonito isso que o MST faz: formar em curso superior quem trabalha na enxada. Essa preocupação cultural do MST já é um avanço extraordinário no caminho do socialismo. É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação, notícia… Minha tese de doutorado em ciências sociais foi sobre o camponês pobre de São Paulo – aquele que precisa arrendar terra, o parceiro. Em 1948, estava fazendo minha pesquisa num bairro rural de Bofete e tinha um informante muito bom, Nhô Samuel Antônio de Camargos. Ele dizia que tinha mais de 90 anos, mas não sabia quantos. Um dia ele me perguntou: “ô seu Antonio, o imperador vai indo bem? Não é mais aquele de barba branca, né?”. Eu disse pra ele: “não, agora é outro chamado Eurico Gaspar Dutra”. Quer dizer, ele está fora da cultura, para ele o imperador existe. Ele não sabe ler, não sabe escrever, não lê jornal. A humanização moderna depende da comunicação em grande parte. No dia em que o trabalhador tem o rádio em casa ele é outra pessoa. O problema é que os meios modernos de comunicação são muito venenosos. A televisão é uma praga. Eu adoro, hein? Moro sozinho, sozinho, sou viúvo e assisto televisão. Mas é uma praga. A coisa mais pérfida do capitalismo – por causa da necessidade cumulativa irreversível – é a sociedade de consumo. Marx não conheceu, não sei como ele veria. A televisão faz um inculcamento sublimar de dez em dez minutos, na cabeça de todos – na sua, na minha, do Sílvio Santos, do dono do Bradesco, do pobre diabo que não tem o que comer – imagens de whisky, automóvel, casa, roupa, viagem à Europa – cria necessidades. E claro que não dá condições para concretizá-las.
A sociedade de consumo está criando necessidades artificiais e está levando os que não têm ao desespero, à droga, miséria… Esse desejo da coisa nova é uma coisa poderosa. O capitalismo descobriu isso graças ao Henry Ford. O Ford tirou o automóvel da granfinagem e fez carro popular, vendia a 500 dólares. Estados Unidos inteiro começou a comprar automóvel, e o Ford foi ficando milionário. De repente o carro não vendia mais. Ele ficou desesperado, chamou os economistas, que estudaram e disseram: “mas é claro que não vende, o carro não acaba”. O produto industrial não pode ser eterno. O produto artesanal é feito para durar, mas o industrial não, ele tem que ser feito para acabar, essa é coisa mais diabólica do capitalismo. E o Ford entendeu isso, passou a mudar o modelo do carro a cada ano. Em um regime que fosse mais socialista seria preciso encontrar uma maneira de não falir as empresas, mas tornar os produtos duráveis, acabar com essa loucura da renovação. Hoje um automóvel é feito para acabar, a moda é feita para mudar. Essa ideia tem como miragem o lucro infinito. Enquanto a verdadeira miragem não é a do lucro infinito, é do bem-estar infinito.
QUEM É
Antonio Candido de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, concluiu seus estudos secundários em Poços de Caldas (MG) e ingressou na recém-fundada Universidade de São Paulo em 1937, no curso de Ciências Sociais. Com os amigos Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e outros fundou a revista Clima. Com Gilda de Mello e Souza, colega de revista e do intenso ambiente de debates sobre a cultura, foi casado por 60 anos. Defendeu sua tese de doutorado, publicada depois como o livro “Os Parceiros do Rio Bonito”, em 1954. De 1958 a 1960 foi professor de literatura na Faculdade de Filosofia de Assis. Em 1961, passou a dar aulas de teoria literária e literatura comparada na USP, onde foi professor e orientou trabalhos até se aposentar, em 1992. Na década de 1940, militou no Partido Socialista Brasileiro, fazendo oposição à ditadura Vargas. Em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Colaborou nos jornais Folha da Manhã e Diário de São Paulo, resenhando as primeiras obras literárias. É autor de inúmeros livros, atualmente reeditados pela editora Ouro sobre Azul, coordenada por sua filha, Ana Luisa Escorel.
Publicado originalmente na edição 435 do Brasil de Fato.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
7 kg OFF
Para quem pergunta o segredo dos meus 7 kg a menos, aí vai: medicina ortomolecular+dieta ortomolecular. É caro, mas funciona. Mas tem que fazer as duas coisas juntas e a sério. Já tentei uma sem a outra e não deu certo. E sim, eu tinha onde perder 7Kg (a gente sempre tem, ainda mais no primeiro ano pós-parto).
Ah a massagem estética (aquela beeeem dolorida, que a gente fica até com hematomas) está ajudando muito na modelagem do abdomen e combate a celulite. Só queria ter mais tempo para fazer musculação para ajudar na definição do restante do corpo, mas está difícil. Estou trabalhando como louca cobrindo os colegas de férias em janeiro e fevereiro.
Eu sei que esse era para ser um blog cabeça, mas não pude resistir, pois sei que nós mulheres adoramos dicas de dieta e saúde.
Ah a massagem estética (aquela beeeem dolorida, que a gente fica até com hematomas) está ajudando muito na modelagem do abdomen e combate a celulite. Só queria ter mais tempo para fazer musculação para ajudar na definição do restante do corpo, mas está difícil. Estou trabalhando como louca cobrindo os colegas de férias em janeiro e fevereiro.
Eu sei que esse era para ser um blog cabeça, mas não pude resistir, pois sei que nós mulheres adoramos dicas de dieta e saúde.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Novas aquisições
Hoje estive na Fnac e comprei vários livros legais. Estou louca para começar a lê-los.
A Morte de Ivan Ilitch - Leon Tolstoi, ED. L&PM Pocket
50 Contos de Machado de Assis, selecionados por John Gledson-Companhia das Letras
Antologia Pessoal - Jorge Luis Borges, Companhia das Letras
Sabres e Utopias, Visões da América Latina - Mario Vargas Llosa, Objetiva. Nesse livro nosso Nobel de Literatura reuniu uma série de artigos sobre sua posição frente à realidade latino-americana.
Fico devendo os comentários para adiante.
A Morte de Ivan Ilitch - Leon Tolstoi, ED. L&PM Pocket
50 Contos de Machado de Assis, selecionados por John Gledson-Companhia das Letras
Antologia Pessoal - Jorge Luis Borges, Companhia das Letras
Sabres e Utopias, Visões da América Latina - Mario Vargas Llosa, Objetiva. Nesse livro nosso Nobel de Literatura reuniu uma série de artigos sobre sua posição frente à realidade latino-americana.
Fico devendo os comentários para adiante.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Estudos e leituras
Ando distante daqui por estar fazendo muita coisa. Dentre elas a oficina de criação literária do Charles Kiefer que tem me deixado mais exigente com aquilo que escrevo, talvez por isso não esteja conseguindo postar. Acabo usando mais o twitter pela possibilidade de postagens curtas e pela facilidade de fazê-lo pelo celular. Mas não posso deixar de aparecer e dar ao menos notícias. Quem quiser me acompanhar pelo twitter, o endereço é www.twitter.com/@angeladalpos
Estive em vários eventos da Feira do Livro de Porto Alegre deste ano, que também contribuíram muito para meu aprimoramento. Destaco a oficina de contos do Altair Martins e a oficina do livro do Paulo Tedesco, esta última voltada a esclarecer acerca das várias etapas que envolvem a produção de um livro e aspectos do mercado literário.
Ainda na Feira do Livro, comprei vários livros interessantes que, na medida em que for lendo, vou noticiando e resenhando aqui no blog. Atualmente estou lendo "A Arte da Ficção" do Jonh Gardner, que traz dicas preciosas para os escritores. Estou no início, mas apreciando muito a leitura, fácil e pertinente.
Voltei para a aula de inglês e, para ajudar, estou relendo no original "The Real Thing" do Tom Stoppard. É uma peça de teatro, mas basta ler o primeiro ato para não querer mais parar.
Terminei de ler Comer, Rezar, Amar e também vi o filme. Gostei de ambos, mas como li o livro antes, tive uma sensação de Deja vu assistindo o filme. De qualquer maneira foi legal visualizar as paisagens e as cenas que tinha lido no livro e comparar as que eu mesma imaginei com as do filme.
Bom, espero conseguir ficar mais assídua nos posts. Até!
Estive em vários eventos da Feira do Livro de Porto Alegre deste ano, que também contribuíram muito para meu aprimoramento. Destaco a oficina de contos do Altair Martins e a oficina do livro do Paulo Tedesco, esta última voltada a esclarecer acerca das várias etapas que envolvem a produção de um livro e aspectos do mercado literário.
Ainda na Feira do Livro, comprei vários livros interessantes que, na medida em que for lendo, vou noticiando e resenhando aqui no blog. Atualmente estou lendo "A Arte da Ficção" do Jonh Gardner, que traz dicas preciosas para os escritores. Estou no início, mas apreciando muito a leitura, fácil e pertinente.
Voltei para a aula de inglês e, para ajudar, estou relendo no original "The Real Thing" do Tom Stoppard. É uma peça de teatro, mas basta ler o primeiro ato para não querer mais parar.
Terminei de ler Comer, Rezar, Amar e também vi o filme. Gostei de ambos, mas como li o livro antes, tive uma sensação de Deja vu assistindo o filme. De qualquer maneira foi legal visualizar as paisagens e as cenas que tinha lido no livro e comparar as que eu mesma imaginei com as do filme.
Bom, espero conseguir ficar mais assídua nos posts. Até!
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Trailer - Comer, Rezar e Amar.
Já comentei aqui que estou lendo o livro Comer, Rezar e Amar. Vou ter que correr para terminar, pois o filme vai estrear no Brasil em 1º de outubro, e eu quero acabar o livro antes de ver o filme. Acho que esse filme vai ser um amor (adoro comédias românticas), e além disso descobri que a trilha sonora é do vocalista do Pearl Jam. Show! Bom, deixo aqui o trailer do filme com a música do Eddie Vedder para dar vontade de assistir.
sábado, 17 de julho de 2010
Dúvida
Queria saber se quem deixa comentário em blogs depois volta para ver se há resposta. É que há um tempo atrás eu lia os comentários e respondia no próprio blog. Depois comecei achar que era perda de tempo, porque quem deixou o comentário dificilmente voltará para ver se teve resposta, servindo esta apenas para satisfazer a curiosidade dos próximos leitores que deixarão comentário. Mas ultimamente visitei uns blogs em que os donos respondem aos comentários e particularmente gostei de ler. O que vocês acham?
Deixa um comentário aí quem acha que vale a pena responder os comentários e por quê.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Curtinhas
Amanhã tem Cinematerna em Porto Alegre, estreando no sábado (originariamente era só às quintas), às 11h, no Cine Arteplex do Bourbon Country. Sou fã do Cinematerna, que leva mamães e bebês ao cinema, com a sala toda preparada para receber os pequenos, com iluminação baixa, ar condicionado e som reduzidos, trocadores. Eu estava frustrada porque voltei a trabalhar e não estava mais podendo comparecer às sessões. Veio em boa hora o lançamento das sessões aos sábados. Quem quiser conhecer mais sobre essa proposta, indico o site do Cinematerna.
O filme deste sábado é Shrek para sempre em 3D. Todas as mamães lá!

Vocês devem conhecer a revista Norte, da Arquipelago Editorial, especializada em literatura e cultura em geral. Pois é, agora ela é gratuita e está disponível nas livrarias. Corre para buscar a tua.
Ou quem preferir pode ler no site da editora.

Estou correndo para terminar a leitura do livro Comer, Rezar, Amar, da Elisabeth Gilbert, pois em breve vai ser lançado o filme com a Julia Robers e quero assistir já tendo lido o livro. Eu tenho um pouco de preconceito com best sellers, mas, depois que até a Martha Medeiros referiu que leu esse livro e adorou, senti-me absolvida. Comecei a ler e também estou amando. Quando acabar, eu faço uma resenha para o blog.
O filme deste sábado é Shrek para sempre em 3D. Todas as mamães lá!
Vocês devem conhecer a revista Norte, da Arquipelago Editorial, especializada em literatura e cultura em geral. Pois é, agora ela é gratuita e está disponível nas livrarias. Corre para buscar a tua.
Ou quem preferir pode ler no site da editora.
Estou correndo para terminar a leitura do livro Comer, Rezar, Amar, da Elisabeth Gilbert, pois em breve vai ser lançado o filme com a Julia Robers e quero assistir já tendo lido o livro. Eu tenho um pouco de preconceito com best sellers, mas, depois que até a Martha Medeiros referiu que leu esse livro e adorou, senti-me absolvida. Comecei a ler e também estou amando. Quando acabar, eu faço uma resenha para o blog.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
100 seguidores
Oba, o blog acaba de atingir 100 seguidores. Para quem escreve, é muito bom contar com leitores fieis. Gostaria de agradecer imensamente pelas visitas e comentários, e dar as boas-vindas aos novos seguidores. Fiquem a vontade para opinar, enviar sugestões e textos para serem publicados aquino blog.
domingo, 11 de julho de 2010
Viva España!!
Em homenagem à Espanha, vencedora da Copa do Mundo 2010, posto esse vídeo com o maravilhoso bailarino espanhol, Joaquin Cortez.
Tive o privilégio de assisitir ao vivo duas apresentações dele, uma em Porto Alegre e outra em Madri. Só posso dizer que quando ele faz um solo como esse do vídeo, os homens da plateia se encolhem em suas poltronas, enquanto as mulheres ficam de boca aberta. Assistam e entendam por quê. Parabéns Espanha!
Tive o privilégio de assisitir ao vivo duas apresentações dele, uma em Porto Alegre e outra em Madri. Só posso dizer que quando ele faz um solo como esse do vídeo, os homens da plateia se encolhem em suas poltronas, enquanto as mulheres ficam de boca aberta. Assistam e entendam por quê. Parabéns Espanha!
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Toy Story 3
Assisti Toy Story 3 e achei tão bonitinho. Posso dizer que o filme é mais para os adultos que para as crianças, porque tem certas nuances que as crianças não conseguem perceber.
O apego dos brinquedos ao menino-dono, Andy, e o desinteresse deste pelos brinquedos por ter entrado na adolescência e não brincar mais me levaram a refletir sobre o consumismo. A gente se desfaz das coisas em dois toques porque surge outra apresentada como "melhor", mesmo que a que você tinha continuasse cumprindo sua função. O pior é que começamos a substituir as pessoas. Acho que os brinquedos representam justamente estas relações descartáveis entre as pessoas, que ocorrem toda hora, e a gente nem percebe. Ao olhar para trás, lá estão pilhas de ressentimentos e arrependimentos deixados pelo caminho.
No caso de Andy, sente-se uma certa tristeza dele por ter que deixar os brinquedos para trás, depositando-os no sótão. Não é fácil crescer e ter que guardar nossa criança no sótão. Então por que guardá-la?
Ainda há tempo de libertar a criança, retomar amizades, caminhar descalço, desapegar-se de coisas, ganhar tempo com quem amamos. Já se deram conta quanto tempo perdemos com esse monte de aparato tecnológico? Temos a impressão que estamos sempre ocupados, mas com o quê especificamente?
Simplifique sua vida, livre-se dos entulhos, deixe espaço para o que interessa. Inclusive para a sua criança interior.
O apego dos brinquedos ao menino-dono, Andy, e o desinteresse deste pelos brinquedos por ter entrado na adolescência e não brincar mais me levaram a refletir sobre o consumismo. A gente se desfaz das coisas em dois toques porque surge outra apresentada como "melhor", mesmo que a que você tinha continuasse cumprindo sua função. O pior é que começamos a substituir as pessoas. Acho que os brinquedos representam justamente estas relações descartáveis entre as pessoas, que ocorrem toda hora, e a gente nem percebe. Ao olhar para trás, lá estão pilhas de ressentimentos e arrependimentos deixados pelo caminho.
No caso de Andy, sente-se uma certa tristeza dele por ter que deixar os brinquedos para trás, depositando-os no sótão. Não é fácil crescer e ter que guardar nossa criança no sótão. Então por que guardá-la?
Ainda há tempo de libertar a criança, retomar amizades, caminhar descalço, desapegar-se de coisas, ganhar tempo com quem amamos. Já se deram conta quanto tempo perdemos com esse monte de aparato tecnológico? Temos a impressão que estamos sempre ocupados, mas com o quê especificamente?
Simplifique sua vida, livre-se dos entulhos, deixe espaço para o que interessa. Inclusive para a sua criança interior.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
O Escritor e o Marketing
Tecnologia é tudo hoje em dia, não? Para quem consegue aliá-la ao marketing, então, pode ser o segredo do sucesso.
O Carpinejar está fazendo o lançamento do livro Mulher Perdigueira com bate-papo com outros autores em várias capitais e utiliza o twitter para transmitir os eventos ao vivo. Estive no lançamento em Porto Alegre em que ele esteve conversando com a Martha Medeiros e o José Pedro Goulart. Foi muito interessante e tudo transmitido via twitter.
Hoje teve lançamento em São Paulo, e a conversa foi com a Marcia Tiburi. O vídeo está no blog do escritor.
Acho interessante observar a atuação do Fabrício na mídia, porque, além de ele ser um grande escritor, sabe fazer o marketing de si mesmo e se manter em evidência. E se utiliza de várias ferramentas tecnológicas, como blogs, twitter, etc, que lhe conferem visibilidade. Não adianta, com toda a gama de livros sendo lançados todos os dias, não basta ser bom , é preciso estar na vitrine se quiser que seus livros vendam. Quantos ótimos escritores a gente nem sabe que existe? Ponto para quem aposta em assessoria de imprensa ou desempenha bem esse papel, como é o caso do Carpinejar. Ele criou um personagem dele mesmo, uma imagem que chama a atenção e instiga a que as pessoas tenham curiosidade a respeito do que ele escreve ou tem a dizer. Pelo menos comigo foi assim e posso dizer que me surpreendi positivamente. É uma pessoa inteligentíssima, tem um raciocínio muito rápido e constrói as idéias de forma inusitada, deixando-nos sempre com algum questionamento, um ponto a refletir. Quem já conversou com o Fabrício ou leu algo dele sabe do que estou falando.
Hoje em dia compro tudo que ele lança, pois sei que a linguagem, a forma de dizer as coisas virão revestidas de subjetivismo, jamais serão lugar-comum, mas, ao mesmo tempo, permitirão uma identificação do leitor por tratar de temas do cotidiano.
Não li Mulher Perdigueira ainda, mas quando o fizer, conto por aqui.
Ah, e por falar nisso, outra coisa que favorece o escritor: o boca a boca é a melhor propaganda.
O Carpinejar está fazendo o lançamento do livro Mulher Perdigueira com bate-papo com outros autores em várias capitais e utiliza o twitter para transmitir os eventos ao vivo. Estive no lançamento em Porto Alegre em que ele esteve conversando com a Martha Medeiros e o José Pedro Goulart. Foi muito interessante e tudo transmitido via twitter.
Hoje teve lançamento em São Paulo, e a conversa foi com a Marcia Tiburi. O vídeo está no blog do escritor.
Acho interessante observar a atuação do Fabrício na mídia, porque, além de ele ser um grande escritor, sabe fazer o marketing de si mesmo e se manter em evidência. E se utiliza de várias ferramentas tecnológicas, como blogs, twitter, etc, que lhe conferem visibilidade. Não adianta, com toda a gama de livros sendo lançados todos os dias, não basta ser bom , é preciso estar na vitrine se quiser que seus livros vendam. Quantos ótimos escritores a gente nem sabe que existe? Ponto para quem aposta em assessoria de imprensa ou desempenha bem esse papel, como é o caso do Carpinejar. Ele criou um personagem dele mesmo, uma imagem que chama a atenção e instiga a que as pessoas tenham curiosidade a respeito do que ele escreve ou tem a dizer. Pelo menos comigo foi assim e posso dizer que me surpreendi positivamente. É uma pessoa inteligentíssima, tem um raciocínio muito rápido e constrói as idéias de forma inusitada, deixando-nos sempre com algum questionamento, um ponto a refletir. Quem já conversou com o Fabrício ou leu algo dele sabe do que estou falando.
Hoje em dia compro tudo que ele lança, pois sei que a linguagem, a forma de dizer as coisas virão revestidas de subjetivismo, jamais serão lugar-comum, mas, ao mesmo tempo, permitirão uma identificação do leitor por tratar de temas do cotidiano.
Não li Mulher Perdigueira ainda, mas quando o fizer, conto por aqui.
Ah, e por falar nisso, outra coisa que favorece o escritor: o boca a boca é a melhor propaganda.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Troca de bebês
Fiquei chocada com a notícia de dois bebês que foram trocados na maternidade e agora, depois de um ano e pouco, as famílias desfizeram a troca.
Como assim desfizeram a troca? Então não amaram aquela criança como se fosse seu filho por todo esse tempo para agora descobrir que não tem o seu sangue e então destrocar? E não estamos falando de uma mercadoria, estamos falando de dois bebês, que conhecem e amam aquela mãe que os criava, toda a sua referência familiar era aquela e, de repente, muda tudo.
Não consigo nem imaginar a dor dessa "destroca", digo até que é mais traumática que a troca inicial. Posso estar errada, mas pai/mãe é quem cria. Como é que se "destroca" um filho, alguém me responda. Se dependesse de mim, não sei se conseguiria. Depois de amar meu bebê, como entregá-lo e amar outro em seu lugar? Num caso desses, acho que o sangue é o que menos conta.
Como assim desfizeram a troca? Então não amaram aquela criança como se fosse seu filho por todo esse tempo para agora descobrir que não tem o seu sangue e então destrocar? E não estamos falando de uma mercadoria, estamos falando de dois bebês, que conhecem e amam aquela mãe que os criava, toda a sua referência familiar era aquela e, de repente, muda tudo.
Não consigo nem imaginar a dor dessa "destroca", digo até que é mais traumática que a troca inicial. Posso estar errada, mas pai/mãe é quem cria. Como é que se "destroca" um filho, alguém me responda. Se dependesse de mim, não sei se conseguiria. Depois de amar meu bebê, como entregá-lo e amar outro em seu lugar? Num caso desses, acho que o sangue é o que menos conta.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Volta ao trabalho e resultados
Está difícil de escrever. Voltei a trabalhar essa semana. Não sei ainda como se faz para dar conta do trabalho, do bebê, do marido, e ainda achar um tempinho para mim e para cuidar do blog. Já estou estressada. A fórmula é fácil, eleger prioridades, mas na prática é tão difícil. Ninguém gosta de abdicar de coisas.
Eu até tenho um tempinho sobrando à noite, pois meu bebê dorme cedo, mas aí sou que estou tão cansada que só tenho vontade de dormir também. Talvez seja porque é a primeira semana, espero pegar logo o jeito
Falando do meu pacote de beleza, até agora estava dando um resultado bom. Meu peso na balança não mudou muito, talvez por causa da musculação. Já minhas medidas reduziram consideravelmente: 7cm no quadril – que me permitiu entrar nas velhas calças 38 – e3 cm no abdômen. Bom né? Vamos aos poréns: por falta de tempo, tive de largar a natação. Adotei a caminhada e tento voltar a correr, será que dá na mesma?
O gostoso disso é voltar a ter vontade de se arrumar. E se arrumar, ainda que para o trabalho, faz eu me sentir bem.
Pausa para o final de semana e, na segunda-feira, voltamos quem sabe um pouco mais adaptada.
Eu até tenho um tempinho sobrando à noite, pois meu bebê dorme cedo, mas aí sou que estou tão cansada que só tenho vontade de dormir também. Talvez seja porque é a primeira semana, espero pegar logo o jeito
Falando do meu pacote de beleza, até agora estava dando um resultado bom. Meu peso na balança não mudou muito, talvez por causa da musculação. Já minhas medidas reduziram consideravelmente: 7cm no quadril – que me permitiu entrar nas velhas calças 38 – e3 cm no abdômen. Bom né? Vamos aos poréns: por falta de tempo, tive de largar a natação. Adotei a caminhada e tento voltar a correr, será que dá na mesma?
O gostoso disso é voltar a ter vontade de se arrumar. E se arrumar, ainda que para o trabalho, faz eu me sentir bem.
Pausa para o final de semana e, na segunda-feira, voltamos quem sabe um pouco mais adaptada.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Meu pacote de beleza

Contei da minha dificuldade de perder os quilinhos que restaram da gravidez.
Agora cansei e resolvi fazer um pacotão de beleza:
natação e musculação 3 vezes por semana;
pacote emagrecimento com 5 sessões de infrared, 5 de aplicação de enzimas, sementinha de prata na orelha para inibir a fome, aromaterapia com dois vidrinhos para inalar quando bater a ansiedade por comida doce ou salgada;
pacote de manthos com 10 aplicações no abdômem, seguido de drenagem linfática.
E o principal: redução da alimentação, principalmente à noite, comendo algo mais completo às 18 horas e apenas uma coisinha antes de dormir (iogurte light ou uma fruta). Ufa!
Estou satisfeita porque faz uma semana que eu comecei e senti nas minhas roupas que já comecei a reduzir medidas, entrei nas minhas calças jeans 38. Isso quer dizer que o quadril já reduziu, falta perder o restante da barriguinha. Não sei se são os exercícios, o pacote estético, a dieta ou tudo junto, mas o importante é que o resultado começou a aparecer e já estou com minha autoestima mais elevada e me sentido muito melhor. O mais difícil é manter depois de perder peso, espero conseguir. Amanhã vou tirar as medidas para comprovar se realmente diminuí.
Bem, quis dividir com vocês para servir de estímulo se alguém está na dúvida de começar algum tratamento estético ou dieta. Sempre vale a pena.
Semana que vem volto a trabalhar e não sei como vou dar conta de tudo, além do tempo para meu filho. Depois eu conto como resolvi.
terça-feira, 9 de março de 2010
Big Brother, por que não?
Engraçado, nessa minha vida de mãe em licença maternidade viciei em novela e Big Brother. Explico. Fiquei um tempão no litoral em janeiro e fevereiro e só pegava a Globo. A falta de alternativa me fez acompanhar esses dois programas em particular.
A novela me prendeu por causa da história da Luciana e do Jorge, adoro um romance. Já o Big Brother, pelas relações humanas, os conflitos, as intrigas, os conchavos, as reações. É claro que tem muita futilidade também, conversas sobre corpo, malhação, lipo, silicone, festas, etc. Mas o que me chama a atenção são os comportamentos dessas pessoas e como reagem entre si e diante de determinadas situações, causando, em quem assiste vários sentimentos antagônicos: amor, ódio, raiva, simpatia, antipatia. Já critiquei muito o programa, mas aprendi a vê-lo por esse novo ângulo e recomendo.
Deve ser efeito da idade isso de rever os conceitos. De uns tempos para cá, tenho tentado ser menos excludente, e procurado ver as coisas e as pessoas por um outro ângulo, procurando o lado positivo de tudo e sabe que tenho aprendido coisas interessantes? Vale a pena tentar conhecer melhor principalmente as pessoas antes de decidir que elas não servem para nosso convívio. Todo mundo tem algo de bom. Se não, pelo menos teremos aprendido um pouco mais sobre relações humanas.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Moderação de Comentários
Como vocês já observaram, até então não havia moderação de comentários aqui no blog. Só que de uma hora para outra começou a aparecer um monte de comentários anônimos indesejados, dando o maior trabalho para apagar.
Assim, resolvi acionar o moderador de comentários, pelo menos por um tempo, para ver se inibo essa prática. O comentário, daqui para frente, só vai aparecer depois da minha aprovação, mas apenas para as mensagens mais antigas (mais de 14 dias). As mais novas permanecem livres de moderação.
Espero que isso não os iniba de deixar comentários, pois eles me deixam muito feliz.
Esse é um teste, podem protestar se não gostarem.
Assim, resolvi acionar o moderador de comentários, pelo menos por um tempo, para ver se inibo essa prática. O comentário, daqui para frente, só vai aparecer depois da minha aprovação, mas apenas para as mensagens mais antigas (mais de 14 dias). As mais novas permanecem livres de moderação.
Espero que isso não os iniba de deixar comentários, pois eles me deixam muito feliz.
Esse é um teste, podem protestar se não gostarem.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Crime e Castigo
Terminei finalmente de ler Crime e Castigo de Dostoiévski. Depois de várias pausas, retomei e, com algum esforço, consegui acabar.
Não é digamos uma leitura de férias, pois o livro é denso ao extremo, cansativo, cheio de detalhes. Conta a história de um rapaz que comete um duplo assassinato - ele mata uma velha agiota para roubar seus bens e acaba matando também a irmã que aparece no local - e depois vive um drama pscicológico devido ao sentimento de culpa e arrependimento. Tanto que não consegue usufruir do que rouba e acaba enterrando sob uma pedra em algum lugar em via pública.
O mérito da obra, na minha opinião, está justamente nos fluxos de consciência dos personagens, seus medos, desejos e apreensões. O leitor vive intensamente o drama e a loucura do assassino e o peso de seu ato e acaba até torcendo por ele, por verificar que, no fundo, não é má pessoa, é um doente que cometeu um erro fatal.
Não é digamos uma leitura de férias, pois o livro é denso ao extremo, cansativo, cheio de detalhes. Conta a história de um rapaz que comete um duplo assassinato - ele mata uma velha agiota para roubar seus bens e acaba matando também a irmã que aparece no local - e depois vive um drama pscicológico devido ao sentimento de culpa e arrependimento. Tanto que não consegue usufruir do que rouba e acaba enterrando sob uma pedra em algum lugar em via pública.
O mérito da obra, na minha opinião, está justamente nos fluxos de consciência dos personagens, seus medos, desejos e apreensões. O leitor vive intensamente o drama e a loucura do assassino e o peso de seu ato e acaba até torcendo por ele, por verificar que, no fundo, não é má pessoa, é um doente que cometeu um erro fatal.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Que venha 2010!
O ano chegou ao fim. Foram tantas alegrias e emoções compartilhadas aqui no blog, a maior delas, o nascimento de meu anjinho Gabriel.
Agradeço a Deus por este ano maravilhoso e a vocês leitores pelo incentivo de me fazer continuar escrevendo.
Que venha 2010 com tudo de bom para todos nós.
Feliz ano novo!
Na foto tirada pelo papai Gustavo Barreto, eu e Gabriel com a árvore de natal de Aracaju, que fiquei sabendo, é a maior do mundo.
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