sábado, 13 de agosto de 2016
#caixadeideias 2
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quinta-feira, 11 de agosto de 2016
sábado, 6 de agosto de 2016
segunda-feira, 18 de julho de 2016
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Ah, os pais, esses exemplos
Um pai pode influenciar seu filho a
fazer qualquer coisa, a gostar de qualquer coisa, para o bem e para o mal. Meu
filho tem cinco anos, é do Flamengo, seu pai é do Flamengo, moramos em Porto
Alegre, vejam só. Que poder de persuasão têm esses pais! Tão sutil e tão forte.
Nas aulas sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, com o Dr. Jorge
Trindade, marcou-me a informação de que a falta da figura paterna pode ser a
causa, ou uma das causas, para o desajuste social de muitos adolescentes
infratores. A figura do pai é o limite; às vezes essa figura pode ser
representada por outra pessoa, que não o pai propriamente dito, mas, se ela é
falha, dá margem a danos irreversíveis naquela personalidade em formação.
Muitos dos nossos problemas sociais são atribuídos à lacuna histórica na
educação, mas muito também, digo eu, por falta de pais de verdade. O pai é o
modelo, o heroi desse menino que vai crescendo pisando nas pegadas deixadas por
aquele que lhe precede. Quer ser grande para imitá-lo nos brinquedos de adulto,
porque, conforme dizem por aí, essa seria a diferença, entre os homens e os
meninos. E falo não em tom de crítica ou menosprezo, mas com admiração àqueles
que conseguem manter viva a criança dentro de si.
Enquanto isso, meu filho sonha com o
dia em que vai ter oito anos para tocar guitarra, com os treze para ter uma
banda de rock, com a adolescência para jogar jogos de guerra no videogame, com
o dia em que será adulto e poderá dirigir um carro ouvindo a música “It's my
life” bem alta, esta última dita por ele hoje. Não o vejo desejando fazer as
coisas que a mamãe faz ou gosta, que, sem preconceito algum, não tem a ver com
questão de gênero, mas com o paradigma eleito, não dirigido à mim. Até porque
eu torço para o Inter, toco piano, gosto de ler, pratico esportes, tenho
hábitos saudáveis, coisas que considero bem legais para um filho imitar. Não
adianta, a disputa é inglória, a derrota, por goleada. Mãe é colo, consolo,
afago, porto seguro. Conforma-se em não ser espelho, basta-lhe ser beijo e
abraço, ter o filho por perto, vê-lo bem, dar-lhe amor.
Assim eu desejo, no mais íntimo, na
minha lista de pequenas utopias, que os pais sejam carinhosos com suas esposas,
gentis com quem lhes presta serviço, do porteiro ao presidente da empresa;
honestos acima de tudo, mesmo que pareça bobagem ou sejam taxados de otários;
humildes para reconhecer o erro e desculpar-se; tolerantes com o ser humano,
seja na igualdade ou na diferença; exerçam de modo consciente o papel
fundamental na formação do caráter daqueles que tem a chance de mudar esse
país.
(Texto em homenagem a Gustavo Barreto que é um pai exemplo para Gabriel)
domingo, 25 de maio de 2014
Resenha do Livro da Kelli Pedroso, SEXO DAS ANTAS, por Marcelo da Rosa Costa
Cada
vez mais parece que a crônica vai de especializando. O camarada escreve sobre
vinhos, relacionamentos, política, esportes, sem sair do seu nicho. Outros
preferem arriscar-se para a diversidade, não apenas recolhendo os detalhes que
fazem a riqueza do cotidiano, mas mergulhando na vida, refletindo a respeito e
opinando. Este é um livro de opiniões. E
opiniões são opiniões, o sujeito as emite, o interlocutor as recebe, pode
concordar ou não. Por exemplo, a autora
acredita – ou acreditava quando escreveu – que Osama Bin Laden não morreu
quando capturado. Sabia demais, e por isso devia estar em algum buraco secreto
dos americanos levando porrada para falar o que sabe. Eu não concordo, acho que a Al Qaeda seria a
primeira a divulgar a informação de que ele poderia estar vivo, ao contrário de
denunciar, como fez, a covardia – no entender da organização – da execução de
um homem desarmado.
Poderia
ficar páginas e páginas aqui discutindo, ora concordando, ora não, com alguns
textos do livro o que, por si só, já demonstra uma grande qualidade: ele propõe
um diálogo. E sobre questões presentes para qualquer um que se interesse pelo
que acontece na sua volta. Seja a violência urbana, o caos no trânsito (“Não há
mais espaço para automóveis nas ruas de Porto Alegre”, diz a autora, e eu
concordo com isso) ou a pressa da vida contemporânea. Em outros momentos, traz
o leitor para um universo particular; demonstrações de afeto cujo destinatário
nos é desconhecido, embora compartilhemos a singeleza universal do gesto. Dessa
forma, o que se vê é a construção de um mosaico cuja versatilidade admite, ao
virar de uma página, que passemos de Nicolau Maquiavel para Odete Roitman com a
naturalidade de alguém que volta pra casa pendurado em cipós.
Particularmente,
acredito que alguns textos poderiam ser mais extensos. Não sei se existia alguma limitação no espaço
onde foram originalmente publicados, mas em alguns deles, como “A Observadora”,
em que autora contempla a brincadeira das crianças em um parque, o fim abrupto
parece interromper o que parecia ser um convite para repararmos naquele
momento, apenas sugerido. Haveria mais a ser explorado, principalmente porque a
autora demonstrou possuir a sensibilidade necessária para desvendar a riqueza
dos acontecimentos prosaicos. Em diversos momentos o livro lança um olhar inconformado
para nossa realidade; quando comenta a “Disseminação do Mal”, o já citado “Caos
no Trânsito”, a violência ou os descaminhos da cada vez mais desastrosa Copa do
Mundo do Brasil. Será que a tendência contemporânea para a concisão, reflexo
desta velocidade exigida na vida moderna, não estaria privando o leitor de uma
das principais qualidades da literatura: a possibilidade de sublimar esta
realidade opressiva pela sua própria natureza, de uma atividade que requer
atenção, silêncio, paciência, ou seja, tempo? Coincidentemente, ou não, o texto
que trata (ou ataca) diretamente estas questões, “Contra as Horas”, é o mais
extenso do livro.
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